Via-Sacra

 

 

PRIMEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus é condenado à morte

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus está diante de Pilatos. A que estado o reduziram! A cabeça coroada de espinhos, as faces banhadas de sangue, todo o corpo lacerado... os ombros cobertos com um pedaço de púrpura... as mãos atadas inspira compaixão o amabilíssimo Jesus. Todavia Pilatos, para agradar aos ingratos judeus, condena à morte o inocente Filho de Deus. Jesus ouve com serenidade a sentença e  aceita resignado a morte para salvação dos pecadores.

Ó Jesus  eu merecia a morte eterna do inferno; e Vós, o Deus da vida, quisestes morrer para me salvar! Seja bendita a vossa bondade infinita! Dai-me a graça de viver e morrer no vosso santo amor.

 

A morrer crucificado

Teu Jesus é condenado,

/ Por teus crimes, pecador / (2x)

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

SEGUNDA ESTAÇÃO

 

Jesus recebe a cruz

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus é despido do manto de púrpura e coberto dos seus vestidos, para que todos o reconheçam e insultem. Apresentam-lhe a Cruz... o Salvador estende os braços, e, num transporte de ternura, aperta-a ao Coração. Ele banha-a de lágrimas... pondo-a aos ombros chagados, encaminha-a para o Calvário: “Aonde ides, meu bom Jesus?” – “Vou morrer por ti; depois da minha morte lembra-te de mim, e ama-me, ama-me!”

Ó Jesus, essa Cruz era-me devida a mim, que sou pecador é não a Vós que sois inocente. Mas o inocente quis pagar pelo pecador, Sede sempre bendito, ó Senhor. Abraço, por vosso amor, todos os desprezos e contrariedades da vida.

 

Sob a cruz ei-lo, gemendo.

Vai sofrendo, vai sofrendo,

/ Vai morrer por teu amor / (2X)

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2X)

 

 

TERCEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus cai  pela primeira vez

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

O Filho de Deus sai do Pretório , oprimido pelo peso da Cruz. Está cheio de amor, mas exausto de forças... Tem derramado tanto sangue! Depois de alguns passos os olhos se lhe obscurecem, verga sob a cruz, e cai por terra, penetrando mais e mais os espinhos na sua delicada cabeça! Avalia o seu martírio! Os algozes enfureceram-se, e, com blasfêmias e  golpes, ultrajam e ferem o Cordeiro divino.

Ó Jesus, Vós caístes sob o peso da Cruz  porque eu me precipitei num abismo de iniquidade. Estendei-me a vossa mão, para que me levante, e, auxiliado pela vossa graça, percorra confiadamente o caminho da virtude e da santidade.

 

Sob o peso constrangido,

Cai Jesus desfalecido,

/ Pela tua salvação! / (2x)

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

QUARTA ESTAÇÃO

 

Jesus encontra sua Mãe

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Que encontro doloroso! Que olhares de desolação!  Maria vê o seu Filho desfalecido e desfigurado, e não lhe pode valer. Jesus vê sua santa Mãe aflita e desolada e não a pode consolar. Não lhe falam os lábios, falam os corações: “Minha Mãe, minha pobre Mãe!’. “Meu Filho, meu querido Jesus!”. E estas palavras traduzem um oceano de afetos e de dores. Duas vítimas inocentes unidas pelo mesmo sacrifício.

Ó Jesus, ó Maria! Com os meus pecados fui a causa dos vossos tormentos. E vós amastes tanto a minha pobre alma! Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração... arrependo-me sinceramente de vos ter ofendido e prometo, com a vossa graça nunca mais tornar a ofender-vos. Ó Maria, consagro-vos a minha alma e o meu corpo. Amparai-me, defendei-me sempre, sempre, mas sobretudo, na hora da minha morte.

 

 Da Mãe sua imaculada,

Quando a encontra desolada,

/ Vê a imensa comoção! / (2x)

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

QUINTA ESTAÇÃO

 

Jesus é ajudado pelo Cirineu

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo

 

Jesus está fraco e tão batido, que, a todo o momento, parece morrer!

E é o Senhor do Paraíso, que rege e governa todas as criaturas! Os judeus temendo que a vítima lhes faleça no caminho, e não possa chegar ao local da infâmia, obrigam Simão Cirineu a levar a cruz junto com o Redentor.

Ó Jesus. Vós sustentais, com um ato de vossa onipotência, o céu e a terra, e precisais de amparo?

Ó meu bom Jesus, a que estado vos reduziu o vosso amor pela minha alma. Nunca esquecerei tamanha misericórdia. Pelos merecimentos desta vossa fraqueza, ajudai-me a levar a cruz que mereço e desejo na qualidade de cristão e de pecador.

 

Um auxílio lhe é imposto;

Já sem força, em sangue o rosto,

/ Não recusa o Cirineu! / (2x)

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

SEXTA ESTAÇÃO

 

Jesus encontra Verônica

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus, perdeu toda a sua beleza – Jesus, o mais belo entre todos os filhos dos homens!… Já não o conhece… A sua face está toda ferida e banhada em lágrimas e sangue!… Uma piedosa mulher, vencendo os respeitos humanos, aproxima-se de Jesus, e limpa-lhe com um véu a face adorável!… O Salvador, sempre bom e grato, deixa impressa naquele véu a sua imagem.

Ó Jesus, quão feliz foi a Verônica que Vos limpou a face desfigurada! Também eu posso receber esse prêmio… Hoje que os ímpios e os ingratos Vos insultam e blasfemam, dai-me a graça de reparar esses ultrajes… e, depois, grave na minha alma a Vossa face divina.

 

Eis a face ensangüentada,

Por Verônica enxugada,

/ Que no pano apareceu / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

(Perdoai-me meu Jesus)! (2x)

 

 

SÉTIMA ESTAÇÃO

 

Jesus cai pela segunda vez

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

O Coração de Jesus está pronto a sofrer e a morrer; mas a sua santíssima humanidade desfalece… Caminha com passo trêmulo, incerto, vacilante… O sangue, que lhe desfigura a Face, turva-lhe o olhar… e afinal o divino Mestre cai por terra… pela Segunda vez!… A violência da queda reabre todas as feridas do seu Corpo… os espinhos rasgam ainda mais aquela delicada cabeça… Os algozes levantam o manso Cordeiro, arrastando-o e ferindo-o!…

Ó Jesus! As minhas repetidas culpas causaram a vossa nova queda… Se eu não tivesse cometido tantos e tão graves pecados, seria menos intenso o vosso sofrimento… Perdoai-me tamanha ingratidão, pela vossa infinita misericórdia.

 

Novamente desmaiando,

No caminho tropeçando,

/ Cai por terra o Salvador / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

(Perdoai-me meu Jesus)! (2x)

 

 

OITAVA ESTAÇÃO

 

Jesus encontra as santas mulheres

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus, é sempre bom e generoso!…

Umas piedosas mulheres, vendo-o ensangüentado e vacilante sob o peso da cruz, choram e se compadecem d’Ele!… Jesus, esquecido dos seus sofrimentos, as consola e instrui, dizendo-lhes que chorem, sobretudo os próprios pecados e os pecados dos homens, que são as causas do martírio de um Deus e da perdição de tantas almas…

Ó Jesus, dai-me lágrimas, lágrimas de amor e de arrependimento, para que chore sempre os meus pecados e o vosso martírio e assim desagrave o vosso Coração aflitíssimo!… E depois, quando eu agonizar no leito da morte, ah! vinde consolar e receber a minha pobre alma.

 

Das matronas que choravam,

Que a gemer o acompanhavam,

/ Consolar busca Ele a dor / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

NONA ESTAÇÃO

 

Jesus cai pela terceira vez

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus, desfalecido e exausto, cai de novo por terra e novamente fere nas pedras a fronte coroada de espinhos… Um Deus por terra!… Mas, à vista do Calvário, reanima-se e levanta-se… O amor dá-lhe novas forças!… É tão ardente o seu desejo de morrer pelos homens ainda que pecadores e ingratos!… Oh! Só um Deus pode amar assim!

Ó Jesus! São tantos e tão graves os meus pecados que, para os expiar, dir-se-ia que não basta uma só queda de um Deus!… É necessário que muitas vezes humilheis à terra a vossa divina Face… Oh! Dai-me a vossa graça para que deteste os meus pecados e vos siga no caminho das humilhações e dos sofrimentos…

 

Cai exausto vez terceira,

Sob a carga tão grosseira,

/ Dos pecados e da cruz / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

DÉCIMA ESTAÇÃO

 

Jesus é despojado das vestes

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Eis o Calvário!… Os algozes arrancaram de Jesus a túnica presa ao seu Corpo lacerado… Abrem-se de novo as feridas… Rebenta mais sangue… Não satisfeitos, amarguram com fel a boca do dulcíssimo Redentor… Jesus tudo sofre com paciência e amor, e oferece todos os seus tormentos ao divino Pai, para a salvação dos pobres pecadores.

Ó Jesus, eu me compadeço dos tormentos que sofreis por mim!… Como hei de agradecer-Vos tamanha bondade?… Completai, Senhor, a vossa misericórdia. Despi-me dos meus vícios e paixões… vesti-me de humildade, de pureza e de caridade… Tornai-me amargo os prazeres da vida e doces as mortificações e os sofrimentos.

 

Já do algoz as mãos agrestes

As sangrentas, pobres vestes,

/ Vão tirar do bom Jesus / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! (2x)

 

 

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus é pregado na cruz

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

A uma ordem dos algozes, o Salvador estende sobre a cruz o seu Corpo lacerado, e, levantando os olhos ao céu apresenta as mãos e os pés, para serem traspassados pelos cravos… Aos golpes repetidos do martelo, rasga-se a pele, dilacera-se a carne, rompem-se as veias… O doce Jesus sofre um martírio imenso… mas não se queixa… pede, adora e ama!…

Ó Jesus, dissestes um dia que, pregado no madeiro, teríeis atraído a Vós todos os corações… atraí o meu coração com a força suave e irresistível do Vosso amor; pregai-me na Vossa cruz bendita, para que nunca mais me afaste de Vós… Está-se tão bem aos vossos pés.

 

Sois por mim à cruz pregado,

Duramente torturado,

/ Com cegueira e com furor / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

 

Jesus morre na cruz

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Pobre Jesus! Quanto sofre!… Está pendente de três cravos!… Não encontra o menor alívio… Todos concorrem para o atormentar… E Ele pensa em todos… Pensa nos algozes, e pede para eles perdão… Pensa no bom ladrão, e promete-lhe o céu… Pensa na sua Mãe, e dá-lhe João por amparo… Pensa em nós e dá-nos Maria por Mãe… Como Jesus é bom!… Mas Ele morre… inclina a cabeça… solta o último suspiro!… Morreu… Um Deus morreu por mim!…

Deixai-me, ó Jesus, abraçar-me aos Vossos pés ensangüentados; e deixai-me viver e morrer aqui!… Ah! É justo que a criatura viva e morra pelo seu bom Deus, que viveu e morreu pela sua miserável criatura!

 

Por meus crimes padecestes,

Meu Jesus por mim morrestes,

/ Quanta angústia, quanta dor! / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! (2x)

 

 

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus é tirado da cruz

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Que desolação para Maria, receber em seus braços a Jesus, não belo e cândido, como em Belém, mas todo ferido e desfigurado!…

Inclina-se sobre o seu Filho morto e chora inconsolavelmente!… Depois reanima-se e considera os estragos que fizeram naquele santíssimo Corpo os flagelos, os espinhos, os cravos, a lança!… Pobre Mãe! ter um Filho, como Jesus, e perde-Lo… e de um modo tão cruel… que desolação!

Ó Maria! Fui eu que, pelos meus pecados, dei a morte a Jesus e causei tão acerbas dores ao vosso Coração…

Ó Senhora, não me desampareis… Não vedes que a minha alma está banhada no sangue de Jesus, que é também sangue de vossas veias?… Perdoai-me as minhas ingratidões, impetrai-me a graça de viver unicamente para Jesus… Amo-Vos, minha boa Mãe, e espero amar-Vos por toda a eternidade!

 

Já da cruz Vos despregaram,

E a Maria Vos deixaram,

/ Que terrível aflição / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)

 

 

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

 

Jesus é sepultado

 

V. Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos.

R. Porque pela Vossa  Santa Cruz remistes o mundo.

 

Jesus está encerrado no sepulcro… A sua aniquilação não podia ser mais completa… É o Deus da vida, mas aqui não vive… Contempla-O pela última vez!… A sua fronte está rasgada pelos espinhos; os olhos, fechados; os lábios, mudos; as mãos e os pés, traspassados; o Coração… Oh! O Coração que tanto amou e sofreu, já não bate!… Jesus, o bom Jesus, está morto e sepultado!…

Ó Jesus, adoro-Vos no santo sepulcro!… Eis o que ganhastes com o Vosso amor excessivo por mim, ingratíssimo pecador!… Seja sempre bendita a Vossa Misericórdia!… Dai-me a graça de me esconder do mundo e de viver no vosso Coração dulcíssimo… Ali, encontrei a paz, a felicidade, o paraíso .

 

No sepulcro Vos puseram,

Mas os homens tudo esperam,

/ Que os salvou Vossa paixão / (2x).

 

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

/ Perdoai-me meu Jesus! / (2x)