Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

Nº 9 —

 

DEUS... O DESLUMBRANTE!

 

I. É encantador saber da existência de um Deus que sempre existiu... não teve começo e não terá fim! É seguro, consolador e alegre ser protegido por um Senhor que não começou a existir e que não há de morrer.

 

II. Deus existe! Não importa a teoria do ateu e do que se encontra ao léu... o Senhor existe! Se Deus não existisse, não haveria universo... não existiríamos... nem o ateu. Se não existisse um Ser, eterno e não causado, que tivesse dado início a tudo, nada jamais teria acontecido.

 

III. Como é “cansativo” tentar descobrir a existência do Eterno! Como é “fatigante” lutar para entender a existência do Senhor que existiu sempre... que não teve começo... que antes d’Ele nada existia! É mais fácil amá-lo apaixonadamente e viver na “ignorância!”

 

IV. Como é consolador contar milhões e milhões de anos de séculos para trás e depois dizer: Ainda antes deste tempo existia Deus! E fazer a mesma contagem para o futuro e dizer: E ainda depois deste tempo Deus existirá! Que “matemática” mais agradável! Que Deus Imenso!

 

V. Deus sempre existiu e não terá fim... é Eterno! A nossa alma não é eterna, porque começou a existir e não morrerá, mesmo no Inferno... então é imortal! O nosso corpo é mortal, pois começou a existir e morrerá... e no fim do mundo ressuscitará para nunca mais morrer e para ser imortal como a alma. Confusão? Não! Verdade que consola!

 

VI. É consolador e seguro saber que o Amor Eterno sempre existiu! Existimos, portanto, eternamente no seu Amor! Por que não amar o Amor que sempre existiu? É grande rebeldia desprezar o Amor que não passa para mendigar o amor passageiro das criaturas!

 

VII. Deus é o Ser absoluto e necessário! Nunca houve um instante em que Ele não existisse, que jamais há de haver um instante sem que Ele exista; não teve começo nem terá fim... o Criador é Eterno! Por sua essência exclui de si qualquer sucessão.

 

VIII. As três Pessoas Divinas são um só Deus, que está em toda a parte, é Onipotente, sabe tudo, e é a bondade infinita. Entre os homens o pai vem antes do filho; mas isto não se dá com as Pessoas divinas; as três Pessoas divinas são todas eternas.

 

IX. Não há em Deus passado nem futuro, mas somente um imutável, constante e interminável presente. Rigorosamente falando, não se pode afirmar que Ele era ou que será, mas simplesmente que Ele é.

 

X. Deus disse a Moisés: “Eu sou aquele que é” (Ex 3, 14). Como se dissesse: Eu sou o Ser por excelência, de cuja essência é o existir, que existo por mim mesmo e que não posso não existir. Revelou-se, pois, Deus como o Ser necessário.

 

XI. Se Deus é necessariamente sem princípio, conclui-se que Ele tem o ser não de outrem, mas só por si mesmo, pela sua natureza divina; e a razão da sua existência está toda na sua própria natureza.

 

XII. Deus existe... e Deus é um só... um só Deus em três Pessoas iguais e distintas, que são a Santíssima Trindade! Se houvesse vários deuses, difeririam entre si em alguma coisa... e essa diferença faria que esses deuses não seriam infinitamente perfeitos. Isso não pode “acontecer” em Deus! “Não há outro Deus fora de mim, Deus justo e salvador não existe, a não ser eu” (Is 45, 21).

 

XIII. Em Deus não há uma só pessoa, mas três Pessoas realmente distintas. Quer dizer que uma não é a outra. O Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo; o Filho não é o Pai nem o Espírito Santo; o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho. Diz-se pessoa todo o ser inteligente que é distinto de qualquer outro. Assim cada um de nós é uma pessoa. Cada anjo é uma pessoa. Não são pessoa nem o animal, nem a árvore, nem a pedra, porque são sem dúvida seres, mas não inteligentes. Cada um de nós é uma pessoa distinta de qualquer outra.

 

XIV. Nós, pobres criaturas... fracas e pecadoras, fomos criadas pelo Deus perfeitíssimo... n’Ele é tudo perfeição sem defeito nem limite. Em nós há uma mistura de perfeições com defeitos... em Deus não é assim!

 

XV. Por mais que queremos bem a Deus não podemos enxergá-lo, pois Ele não tem corpo como nós, mas é espírito puríssimo e por isso não O vemos com os nossos olhos, assim como não vemos os Anjos nem a nossa alma. O Criador não é somente espírito, é também espírito puríssimo, pois não está unido a nenhum corpo.

 

XVI. Deus é Imenso! O Senhor está no Céu, na terra e em todo o lugar ao mesmo tempo. Quem poderá fugir d’Ele?

 

XVII. O Criador é espírito... e como espírito perfeitíssimo não tem limite, está em toda a parte. Não vemos o Senhor, mas Ele está perto de nós, pois Ele é que nos conserva a vida.

 

XVIII. Não podemos fugir de Deus! Em nenhum lugar e tempo podemos sair da sua presença... estamos continuamente com Ele! Se é assim, devemos viver santamente em qualquer lugar: “... tornai-vos santos em todo o vosso comportamento” (1 Pd 1, 15).

 

XIX. Adoremos a Deus de todo o coração... Ele é o Senhor! Senhor... quer dizer que Deus tem o domínio absoluto de todas as coisas... nada foge de suas “mãos”.

 

XX. Deus é o verdadeiro Senhor de todas as coisas, não somente Senhor, mas Senhor absoluto.  O que pertence ao homem não é exclusivamente do homem, mas de Deus ainda mais que dele.

 

XXI. Tudo depende do Criador! Tudo está em suas santíssimas “mãos!” Ele é o Senhor de todas as coisas... é ainda o Senhor e Dominador das leis que governam o universo, que regem as estrelas, a terra, os planetas nos seus movimentos através do espaço imenso! Deus mantém a fecundidade da terra! Fez que as águas corressem para o mar, se evaporassem e tornassem nuvens, se dissolvessem e voltassem a cair na terra em forma de água e de neve, penetrassem pelas entranhas da terra e mantivessem assim as fontes perenes!

 

XXII. Milhares admiram as rebeldias e os pecados das criaturas. Grande ignorância e cegueira! Devemos admirar a grandeza e o poder do Criador! Qualquer coisa que nos é útil ou agradável foi criada por Deus... e que, criando-a, pensava em nós.

 

XXIII. Deus é Onisciente! O Senhor sabe tudo... conhece tudo, ainda os nossos pensamentos, coisa que o homem não consegue se não forem manifestados: “Deus, tu me sondas e conheces: conheces meu sentar e meu levantar, de longe penetras o meu pensamento; examinas meu andar e meu deitar, meus caminhos todos são familiares a ti” (Sl 139, 1-3).

 

XXIV. É impossível ocultar um pensamento de Deus! O Senhor conhece os nossos pensamentos, ainda os mais íntimos... Ele conhece tudo o que pensa cada um de nós... é Onisciente, sabe tudo. Este saber não é em Deus um pressentimento obscuro ou uma conjectura, mas um ver, um conhecer claro e seguro: “... e não sabe que os olhos do Senhor são infinitamente mais luminosos do que o sol, veem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos” (Eclo 23, 28).

 

XXV. Vergonha de cometer pecados diante dos pais, amigos e estranhos? O que não sabem os homens, sabe-o Deus! Se não faríamos uma coisa por vergonha de que os homens o saibam, quanto menos a devemos fazer porque Deus o saberia!

 

XXVI. A presciência divina não destrói nem limita o livre arbítrio dos homens... porque a presciência divina não é a razão pela qual o homem opera deste e não doutro modo. Três coisas são certas: o homem determina-se livremente nos seus atos; Deus conhece desde toda a eternidade o que o homem há de fazer livremente no tempo; o conhecimento de Deus não influi na liberdade do homem.

 

XXVII. Deus pode fazer tudo, mas não pode fazer o mal... sendo bondade infinita, não o pode querer, mas tolera-o para deixar livres as criaturas, sabendo depois tirar o bem ainda mesmo do mal. O Senhor não faz maldade, mas a permite!

 

XXVIII. Deus pode ser causa indireta do mal físico. Deus pode permitir o mal moral. Uma coisa é ser causa do mal moral, e outra o permiti-lo. Ora, Deus jamais pode ser causa direta ou indireta do mal moral. Não seria, com efeito, contraditório que Deus fosse causa do pecado ou da violação da sua própria vontade?

 

XXIX. O Senhor pode fazer somente o que quer... não pode fazer certas coisas, porque não pode querê-las. Ele, o Criador, não pode querer o mal, e por isso não pode fazê-lo. E não pode querer o mal por ser contrário às suas perfeições, e especialmente à sua infinita bondade.

 

XXX. Deus é a infinita santidade! Deus, que é o bem soberano e infinito, ama-se a si mesmo com uma vontade sempre reta e pura. Não pode deixar de amar o bem, nem pode deixar de detestar o mal. Se ama as criaturas, é segundo o grau de perfeição em que elas refletem as suas perfeições infinitas, e, por conseguinte, segundo a medida do bem, que elas possuem. Nem delas quer outra coisa senão a glória, que lhe pode advir pelo conhecimento e amor de que elas para com Ele são capazes. É esta retidão infinita da vontade o que se chama santidade.

 

XXXI. Deus é santo; ama a ordem e detesta o pecado como inimigo da ordem. A sua santidade é o modelo da nossa perfeição.

 

XXXII. Em Deus não há mentira nem falsidade! Não pode Deus revelar, nem, de fato, revela senão a verdade. Possuindo todo o saber, não se pode enganar; sendo todo santidade, não nos pode enganar. O erro e a mentira repugnam essencialmente a natureza divina, que é a verdade mesma. Deus é infinitamente veraz, porque é infinitamente verdadeiro.

 

XXXIII. O Criador é a infinita bondade! Deus é pleno e totalmente bom em si mesmo, por isso que tem a plenitude do ser que lhe convém.

 

XXXIV. Nosso Senhor é a fonte de todo bem; d’Ele deriva tudo quanto em suas criaturas nos pode encantar e enlevar.

 

XXXV. A bondade de Deus é que O leva a fazer compartilhar dos seus bens e perfeições às suas criaturas, e de um modo especial às suas criaturas racionais. Foi a sua bondade a que O moveu a dar-lhes a existência e a sua bondade é que O move a querer-lhes bem assim como a recompensá-las pelas suas boas obras.

 

XXXVI. Não conseguimos fazer todas as coisas que queremos, mesmo com desejo e luta contínua. Com Deus não é assim! O Criador pode tudo o que quer: para fazer uma coisa, basta que Ele a queira. Por isso Ele é Onipotente, isto é, pode tudo o que quer.

 

XXXVII. Deus é Onipotente! Nada há que o ato infinitamente perfeito da vontade de Deus não possa fazer. Manifestou-se particularmente a Onipotência de Deus na criação. Tirou o Criador do nada o céu e a terra; isto é, por seu ato criador deu ao céu e à terra, que não existiam, a existência que têm.

 

XXXVIII. O bem e o mal não podem estar juntos... querer e poder fazer mal não é uma perfeição, é um defeito: ora, em Deus, que é perfeitíssimo, não há imperfeições, e por isso Ele não pode querer, e por consequência não pode também fazer o mal.

 

XXXIX. Deus é imutável! Sendo Deus um Ser absolutamente necessário jamais houve para Ele começo nem alteração; não teve de sair do nada, nem, por conseguinte, há de voltar ao nada. Sendo um Ser perfeito, não pode adquirir nem perder perfeição alguma; é, pois, essencialmente imutável.

 

XL. A Providência é uma perfeição que abrange a sabedoria, a bondade e a solicitude de Deus no governo do mundo. Em virtude de sua Providência Deus toma cuidado de todas as criaturas. Governa o mundo físico, o sol, os astros, a terra, as estações, o oceano... Vela em particular sobre o homem.

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP (C)

Anápolis, 14 de março de 2017

 

Bibliografia

 

Sagrada Escritura

Pe. W. Devivier, Curso de Apologética Cristã

Teólogo Giuseppe Perardi, Novo Manual do Catequista

Monsenhor Cauly, Curso de Instrução Religiosa

 

 

 

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