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Mc 14,42:
“Eis que o meu traidor está chegando”.
O Salvador olha para Judas Iscariotes que pisa
furiosamente a salvação... caminha como perdedor que abandonou o caminho
do Céu.
Judas Iscariotes estava decidido em trair a Jesus Cristo,
o Amigo bondoso e fiel... o pecado “queimava” a sua alma... não
pensava mais em salvar-se, estava cego.
O traidor estava obcecado em trair o Senhor! Não quis
fazer penitência pelos pecados cometidos... não quis corrigir os
vícios... não pediu perdão ao Salvador nem se humilhou diante d’Ele.
Tomou uma decisão errada e perigosa!
Ele se aproximou do Salvador não para pedir a salvação;
mas sim, para traí-lo.
Judas Iscariotes se perdeu porque quis... desprezou a
salvação... traiu o Salvador e enveredou pelo caminho do Inferno eterno:
“... indo sofrer
eternamente com os demônios” (Santa Catarina de Sena,
O Diálogo sobre a Divina Providência, 37). Ele abandonou
o Amor Eterno para “beber” do ódio eterno... deixou o Amigo para
seguir o inimigo infernal.
São Leão Magno escreve:
“Tendo o Senhor morrido por todos os ímpios,
pudera também este (Judas Iscariotes), talvez receber o remédio, não se
houvesse apressado para a forca... tendo vendido aos algozes o autor da
vida, pecou para o cúmulo de sua condenação, no ato mesmo de morrer”
(Sermão 62,4).
Santo Tomás de Aquino diz:
“Salvar Judas... seria contrário à
presciência e à disposição pela qual Deus lhe preparou a pena eterna;
donde, a ordem, a justiça não impede que se pudesse salvar Judas, mas
impede-o a ordem da presciência e da disposição eterna”
(In IV sent. D, 46, q. 1, a2, q. c. 2 ad 3).
A vida de Judas Iscariotes estava envolta nas trevas...
traiu a Luz Eterna e “mergulhou” na escuridão:
“(Judas) abandonando a Luz verdadeira, seu
próprio Mestre, e odiando os seus irmãos, caminhou rumo à escuridão”
(Santo Efrém, Sermão 5 in Mt 11,29).
Santo Agostinho escreve:
“Ter-se prendido a um laço, antes lhe agravou do
que expiou aquela criminosa traição... e chegou ao fim da vida sendo réu
de morte não só de Cristo, mas também da própria”
(De Civ. Dei 1, 17 – ML 41, 30ss.).
Santo Efrém diz:
“Tesoureiro do veneno de Satanás foi Judas, e
embora seja oculta a forma desse demônio, no traidor ela se faz de tanto
visível; embora seja longa a história desse anjo mau, no Iscariotes ela
é simplificada” (Hino sobre o paraíso XV).
O traidor está chegando com o coração pesado! Cheio de
ingratidão, maldade, inveja, traição, ódio, revolta e frieza. Quando
estava com Cristo vivia às margens... agora tornou-se guia.. é o
“chefe” do “exército” satânico... oferece a todos um
“espetáculo” tenebroso e é “aplaudido” pelo Inferno.
Judas Iscariotes, o traidor, com o coração cheio de ódio
e inveja, saiu de Jerusalém, passou apressadamente pela torrente do
Cedron e entrou no Getsêmani... enfrentou a escuridão, as pedras... os
galhos... o terreno acidentado... o seu forte desejo de entregar o
Salvador o animava:
“Eis que o meu traidor está chegando” (Mc 14,42).
Hoje, infelizmente, milhões de pessoas batizadas na
Igreja Católica Apostólica Romana, estão imitando o péssimo exemplo de
Judas Iscariotes... traem o Senhor e tornam-se seguidoras das seitas e
perseguidoras da Esposa do Cordeiro Imaculado. Terrível ingratidão!
Judas conheceu a Luz Eterna e não quis segui-la!
“De fato, se preferirmos
continuar pecando, depois de termos recebido o conhecimento da verdade,
já não há sacrifícios que possam tirar os nossos pecados. Fica apenas a
terrível expectativa do julgamento e o ardor de um fogo para devorar os
rebeldes” (Hb 10,26-27).
Pe. Divino Antônio Lopes FP(C)
Anápolis, 02 de abril de 2026
(Quinta-feira Santa)
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