1ª Palestra

 

 

1°, 2º, 3º, 4º e 5º PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO

 

(Resumo)

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP(C)

 

Em Mt 12, 31-32 diz: “Por isso vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”.

 

Deus quer que todos os homens se salvem (1 Tm 2, 4) e chama todos à penitência (2 Pd 3, 9). A Redenção de Cristo é superabundante: satisfaz por todo o pecado e atinge todo o homem (Rm 5, 12-21). Cristo entregou à sua Igreja o poder de perdoar os pecados por meio dos sacramentos do batismo e da Penitência. O poder é ilimitado, quer dizer, pode perdoar todo o pecado a todos os batizados, tantas vezes quantas se confessam com as devidas disposições. Esta doutrina é dogma de fé (cfr. De Paenitentia).

O pecado de que aqui fala Jesus chama-se pecado contra o Espírito Santo, porque é à terceira Pessoa da Santíssima Trindade que são especialmente atribuídas as manifestações exteriores da bondade divina. Por outro lado, diz-se que o pecado contra o Espírito Santo é imperdoável, não tanto pela sua gravidade e malícia, mas pela disposição subjetiva da vontade, própria deste pecado, que fecha as portas ao arrependimento: consiste em atribuir maliciosamente ao demônio os milagres e sinais realizados por Cristo. Deste modo, pela natureza própria deste pecado, fecha-se o caminho para Cristo, que é o único que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29), e o pecador situa-se fora do perdão divino. Neste sentido se chama irremissível o pecado contra o Espírito Santo (cfr. Edições Theologica).

Contra o Espírito Santo peca não só aquele que blasfema com palavras, mas também aquele que blasfema com fatos, pecado com malícia deliberada, isto é, procurando cientemente o mal espiritual, para obter um bem, uma vantagem material: “Peca-se contra o Espírito Santo, quando o pecado é dirigido contra o bem apropriado ao Espírito Santo, que é a caridade. Contra o Pai é o pecado de fraqueza; contra o Filho é o pecado da ignorância; contra o Espírito Santo vai o pecado de deliberada malícia” (Santo Tomás de Aquino).

Por deliberada malícia se peca quando de sangue frio se prefere o pecado à graça de Deus; quando se negligencia os meios que servem para impedir o apego ao pecado: “Todo pecado, toda blasfêmia será perdoada aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada’ (Mt 12, 31). Pelo contrário, quem a profere é culpado de um pecado eterno. A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna” (Catecismo da Igreja Católica).

Se esses pecados se dizem irremissíveis, não é porque de nenhum modo possam ser perdoados. Todos os pecados, por mais graves que sejam, são por Deus generosamente perdoados nesta vida, contanto que sejamos verdadeiramente penitentes. Os pecados contra o Espírito Santo são chamados irremissíveis, porque primeiro muito mais do que quaisquer outros pecados são indignos do perdão divino, porque lhes introduz uma malícia deliberada, que não pode invocar nenhuma atenuante como os pecados cometidos por ignorância ou fraqueza.

É de bom aviso, pois, evitar esses pecados, que são de todos os mais perigosos, porque sem um milagre de Deus, deles não se terá perdão. Se realmente estamos resolvidos a não cair nestes pecados, conservemos sempre a pureza da consciência e fujamos do pecado venial. Geralmente uma queda grave é preparada por uma série de faltas leves. As quedas se repetem e pouco a pouco levam ao abismo. Uma vez chegado a este ponto, é desprezada a misericórdia e a justiça de Deus, perde-se a noção da verdade e da graça e nenhum remorso do pecado cometido se experimenta: “O ímpio, quando chegou ao profundo dos pecados, despreza tudo” (Pr 18, 3).

Distinguem-se seis pecados contra o Espírito Santo:

 

1. A desesperação da salvação eterna.

 

Pecado este que se dirige contra um Deus que recompensa o bem e perdoa ao pecador penitente.

Santa Catarina de Sena escreve: “Este pecado de desespero desagrada-me (Deus) e prejudica os homens mais do que todos os outros males. É o mais prejudicial pelo seguinte: os demais vícios são cometidos pelo incentivo de algum prazer; deles a pessoa pode, portanto, arrepender-se e obter o perdão. No pecado de desespero o homem não é movido por fraqueza alguma. O ato de desesperar-se não inclui debilidade, mas somente intolerável dor. Quem desespera, despreza minha misericórdia (Deus) e julga que seu pecado é maior que minha bondade (Deus). Quem faz tal pecado já não se arrepende, já não sente dor pela culpa. Poderá o responsável queixar-se do castigo recebido, mas não da ofensa cometida. Por essa razão são condenados” (O Diálogo).

Em flagrante contradição com as garantias fornecidas pelo próprio Deus, o desesperado não crê mais que Deus possa ou queira perdoá-lo, reerguê-lo de sua vida pecaminosa e conceder-lhe uma boa hora de morte. E, assim, ao pecado contra a esperança, acrescenta ele um pecado contra a fé.

Os pecados contra a esperança fecham totalmente o coração humano à influência do Espírito Santo. Por isso, o desespero é contado entre os pecados contra o Espírito Santo. É também um dos mais terríveis pecados, porque inutiliza, de antemão, todo esforço salvador.

 

2. A presunção de se salvar sem merecimento.

 

Este pecado põe de lado o temor de Deus que castiga o mal.

A presunção não se opõe diretamente ao impulso da alma para Deus, nem à confiança, mas ao temor salutar, que é um dos elementos essenciais da virtude teologal da esperança.

Ou o presunçoso ofende diretamente a justiça divina, imaginando que Deus lhe dará a felicidade eterna, mesmo sem que se converta sinceramente e se submeta aos mandamentos divinos (tal negação da necessidade da conversão e do mérito constitui, além do mais, uma falta grave contra a fé); ou ele peca contra a sobrenaturalidade da esperança, ousando que poderá conquistar o céu com suas próprias forças naturais.

O pecado de presunção nasce do orgulho. Muitas vezes ele resulta também da heresia: pelagianismo mais ou menos consciente (o homem não necessita da graça para se salvar), ou o erro protestante sobre a certeza pessoal da salvação.

Retardar a própria conversão na falsa esperança de que Deus não permitirá que o pecador chegue a perder-se eternamente, não é, ainda, por certo, pecado caracterizado, de presunção, mas é, isso sim, pecado grave contra a virtude da esperança. Pois demonstra que o pecador deixou perecer em si mesmo o verdadeiro sentimento de temor em face da justiça divina. Deus jamais prometeu esperar a conversão do pecador que tantas vezes desprezou a graça. Ao contrário, advertiu-o frequentemente com a ameaça da condenação eterna.

Em geral, o que propriamente constitui o pecado de presunção não é o adiamento da conversão, mas o fato de o pecador, levado por certo menoscabo (desprezo) de Deus, expor a perigo a sua salvação. Isto constitui, indubitavelmente, falta grave contra a esperança e contra a caridade para consigo mesmo.

Não se caracteriza, porém, como verdadeira presunção, a atitude de quem peca repetidas vezes, levado pela veemência da paixão e raciocinando, eventualmente, da maneira seguinte: “De qualquer modo, devo mesmo confessar-me; por isso, alguns pecados a mais ou a menos não têm importância”. Mas tal procedimento denuncia grave deficiência de esperança teologal, falta de temor a Deus e grosseira ingratidão para com a graça do sacramento da penitência.

 

3. A contradição à verdade conhecida.

É a negação da fé para poder pecar mais desembaraçadamente.

 

4. A inveja da graça concedida a outros.

Este pecado tem sua malícia em impedir o auxílio da graça interna.

 

5. A obstinação no pecado.

A falta de bom propósito de se separar do pecado.

 

 

 

1ª Palestra

1º, 2º. 3º e 4º PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

2ª Palestra

6° PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO

3ª Palestra

PECADOS QUE BRADAM AO CÉU

 

 

 

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