3ª Palestra

 

Pe. Luiz Lima de Souza

 

 

A QUINTA COLUNA que sustenta o matrimônio é o amor a Deus.

 

O casal deve se esforçar continuamente para colocar em prática o primeiro mandamento da lei de Deus: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Feliz do lar que possui essa QUINTA COLUNA.

 

O casal que abandona a Deus para buscar apoio no mundo, abandona a Rocha para se apoiar na areia movediça, porque a única coisa que esse mundo pagão pode oferecer para um casal é a lama, por isso, o Abade Santo Antão escreve: “Odiai o mundo e tudo que nele há”.

No amor de Deus está a perfeição e não no lixo do mundo, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “Toda a santidade e toda a perfeição de uma pessoa consiste em amar a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso maior bem, nosso Salvador”.

 

1. Amar a Deus é amar o bem por excelência, e quem ama a Deus de coração, odeia o mal maior do mundo, que é o pecado. O amor une, estreita, assemelha. O amor de Deus une a criatura ao seu Criador, e quanto mais cresce o amor, mais se estreitam os laços desta divina amizade. Feliz do casal que possui essa amizade com Deus.

Sabemos que o amor de Deus é um preceito; e o casal que não O ama está fora da lei e não vai pelo caminho da salvação, e sim, da condenação eterna.

O amor a Deus é a QUINTA COLUNA que sustenta o matrimônio; e como um casal se há de amar a Deus? No Evangelho de São Mateus 22,37 diz: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e como todo o seu espírito”. Muitos pensam de uma maneira errada, que esse mandamento se refere somente para padres e freiras, claro que não, se refere também às pessoas casadas.

 

2. O casal ama a Deus de todo o coração, quando Lho entrega todo inteiro, sem o dividir com as criaturas. Só Deus quer ser o objeto do nosso amor. Só Ele é o Senhor do nosso coração, a Ele pertence, e n’Ele deve reinar como em propriedade sua.

Qualquer parcela de amor que um casal dá às criaturas, que não seja por amor a Deus, é um roubo e uma injustiça que o mesmo lhe faz. É importante lembrar de que todas as perfeições que encontramos nas criaturas, são apenas reflexos da infinita beleza do Criador.

O casal que deixa de amar a Deus de coração para amar o mundo, acaba transformando o seu coração num depósito de lixo, e vive em contínua angústia, porque o mundo não pode lhe dar a verdadeira felicidade, como escreve Santa Teresa dos Andes: “Vi que a felicidade no mundo não existe”.

 

3. O casal deve amar a Deus com todo o seu espírito, isto é, vivendo e atuando na sua divina presença, meditando com frequência nos seus divinos atributos e recordando os mil favores, de que Deus o tem cumulado.

Não basta amar a Deus com todo o espírito; é preciso amá-lO com toda a alma, isto é, empregar todas as faculdades e potências em testemunhar que somente Deus é o objeto do seu amor, vivendo unido a Ele pela vontade, pondo à parte todos os outros afetos, que não encaminhem para o seu amor.

O casal deve também amar a Deus com todas as suas forças, isto é, aplicar ao serviço de Deus não só as potências da alma, mas todo o vigor do corpo. Não dar um passo que não se encaminhe a conhecê-lO, não fazer obra que não tenha por alvo a sua maior glória, não dizer palavra que não convenha à sua divina presença, e não usar dos sentidos que não sejam para admirar e honrar as maravilhas do poder do Criador.

4. O casal que deseja com sinceridade vencer os inimigos visíveis e invisíveis, deve se apoiar nessa QUINTA COLUNA do matrimonio: “Amar a Deus sobre todas as coisas”, e assim ele encontrará a verdadeira força e alegria para vencer os obstáculos, como escreve Santa Teresa dos Andes: “Quem pode fazer-me mais feliz do que Deus? N’Ele encontro tudo”.

Casal, fuja do mundo inimigo de Deus, ele é areia movediça e te sufocará; mergulhe em Deus e Ele te protegerá, como está no Salmo 61,8-9: “A minha glória e salvação estão em Deus; o meu refúgio e rocha firme é o Senhor! Povo todo, esperai sempre no Senhor, a abri diante dele o coração: nosso Deus é um refúgio para nós!”.

 

A SEXTA COLUNA que sustenta o matrimônio é a oração.

 

Quando uma pessoa deixa de se alimentar, enfraquece fisicamente, e com o passar do tempo não consegue mais trabalhar nem andar; o mesmo acontece com o casal que não reza, isto é, que não se alimenta da oração fervorosa e perseverante; aos poucos vai se enfraquecendo, não sente mais força para lutar, e acaba sendo derrotado pelos inimigos.

Alguns casais dizem com certo ar de crítica e de zombaria, que “esse negócio” de rezar é coisa para padres e freiras; mas é importante lembrá-los de que as pessoas casadas também possuem uma alma imortal, e que o demônio também trabalha para destruí-las.

 

6. São Francisco de Sales escreve: “É um erro, senão até mesmo uma heresia, querer excluir a vida devota… do lar das pessoas casadas”.

O casal que não reza vive com as costas voltadas para Deus, e caminha apressadamente para a destruição.

Casal, é preciso rezar, é preciso dialogar com Deus, é necessário fazer oração! É tão precisa a oração ao homem para viver sobrenaturalmente, como à ave são precisas asas para se elevar da terra.

É nas asas da oração que o casal se desprende das coisas terrenas e se aproxima de Deus, e assim encontra alívio e paz.

A oração é a SEXTA COLUNA que sustenta o matrimônio, e muitos casais se desculpam dizendo que não possuem tempo para rezar, porque a vida é corrida e o trabalho é muito.

 

7. Mas, esses mesmos casais encontram tempo para assistir as novelas pornográficas e os filmes imorais na televisão; ou então, passam horas e horas conversando nas portas dos botecos ou na porta da própria casa, perdendo um precioso tempo com o lixo do mundo, mas não dialogam com Deus através da oração.

Antigamente existiam os oratórios nas salas, onde os casais se reuniam à noite com os filhos para rezarem o santo terço; hoje, infelizmente, a televisão ocupa o lugar do oratório, e o santo terço foi substituído pelas novelas assassinas que destroem as famílias; e a família fica horas e horas se alimentando desse vômito de satanás.

8. O São João Paulo II escreve: “… a oração não representa de modo algum uma evasão, que desvia do empenho quotidiano, mas constitui o impulso mais forte para que a família cristã assuma e cumpra em plenitude todas as suas responsabilidades de célula primeira e fundamental da sociedade humana”, e São Paulo VI escreve também: “Queremos agora… recomendar vivamente a recitação do santo rosário em família… seja o rosário a sua expressão frequente e preferida”.

Hoje! Qual é o casal que reza juntamente com os filhos?

O casal que não reza vive nas trevas e na cegueira espiritual, e assim, caminha para a perdição eterna.

Casal, acorde enquanto é tempo, abandone as novelas e as portas dos botecos, e marque rigorosamente um horário todos os dias para a oração em família, além do santo terço, leia um trecho da Sagrada Escritura ou da vida de um santo, e faça um fervoroso comentário, não deixe para depois, porque poderá ser tarde.

9. Você reclama que a sua família está fracassando, que a situação está ficando cada vez mais pesada e incontrolável, mas olha só o que você oferece para a mesma: novelas, conversas indecentes, músicas pornográficas e filmes imorais, etc. Você oferece trevas para o seu lar, e gostaria que a sua família fosse luz, isso é loucura! Aquele que se alimenta de carniça, com certeza ficará doente, é o caso da sua família.

Casal! Reze, reze, reze muito, o casal que não reza assemelha-se a uma bola que é chutada o tempo todo por Satanás.

 

PARTE DA ENCICLICA FAMILIARIS CONSORTIO SOBRE A ORAÇÃO

 

A oração familiar

 

59. A Igreja reza pela família cristã e educa-a a viver em generosa coerência com o dom e o dever sacerdotal, recebido de Cristo Sumo Sacerdote. Na realidade, o sacerdócio batismal dos fiéis, vivido no matrimónio-sacramento, constitui para os cônjuges e para a família o fundamento de uma vocação e de uma missão sacerdotal, pela qual a própria existência quotidiana se transforma num «sacrifício espiritual agradável a Deus por meio de Jesus Cristo»: é o que acontece, não só com a celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos e com a oferenda de si mesmos à glória de Deus, mas também com a vida de oração, com o diálogo orante com o Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo.

A oração familiar tem as suas características. É uma oração feita em comum, marido e mulher juntos, pais e filhos juntos. A comunhão na oração é, ao mesmo tempo, fruto e exigência daquela comunhão que é dada pelos sacramentos do batismo e do matrimonio. Aos membros da família cristã podem aplicar-se de modo particular as palavras com que Cristo promete a sua presença: "Digo-vos ainda: se dois de vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos Céus. Pois onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio deles".

A oração familiar tem como conteúdo original a própria vida de família, que em todas as suas diversas fases é interpretada como vocação de Deus e atuada como resposta filial ao Seu apelo: alegrias e dores, esperanças e tristezas, nascimento e festas de anos, aniversários de núpcias dos pais, partidas, ausências e regressos, escolhas importantes e decisivas, a morte de pessoas queridas, etc., assinalam a intervenção do amor de Deus, na história da família, assim como devem marcar o momento favorável para a ação de graças, para a impetração, para o abandono confiante da família ao Pai comum que está nos céus. A dignidade e a responsabilidade da família cristã como Igreja doméstica só podem pois ser vividas com a ajuda incessante de Deus, que não faltará, se implorada com humildade e confiança na oração.

 

Educadores de oração

 

60. Em virtude da sua dignidade e missão, os pais cristãos têm o dever específico de educar os filhos para a oração, de os introduzir na descoberta progressiva do mistério de Deus e no colóquio pessoal com Ele: "É sobretudo na família cristã, ornada da graça e do dever do sacramento do matrimonio, que devem ser ensinados os filhos desde os primeiros anos, segundo a fé recebida no Batismo, a conhecer e a adorar Deus e amar o próximo".

Elemento fundamental e insubstituível da educação para a oração é o exemplo concreto, o testemunho vivo dos pais: só rezando em conjunto com os filhos, o pai e a mãe, enquanto cumprem o próprio sacerdócio real, entram na profundidade do coração dos filhos, deixando marcas que os acontecimentos futuros da vida não conseguirão fazer desaparecer. Tornemos a escutar o apelo que o Papa Paulo VI dirigiu aos pais: "Mães, ensinais aos vossos filhos as orações do cristão? Em consonância com os Sacerdotes, preparais os vossos filhos para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão, crisma? Habituai-los, quando enfermos, a pensar em Cristo que sofre? a invocar o auxílio de Nossa Senhora e dos Santos? Rezais o terço em família? E vós, Pais, sabeis rezar com os vossos filhos, com toda a comunidade doméstica, pelo menos algumas vezes? O vosso exemplo, na retidão do pensamento e da ação, sufragada com alguma oração comum, tem o valor de uma lição de vida, tem o valor de um ato de culto de mérito particular; levais assim a paz às paredes domésticas: "Pax huic domui!". Recordai: deste modo construís a Igreja!".

 

Oração litúrgica e privada

 

61. Entre a oração da Igreja e a de cada um dos fiéis há uma profunda e vital relação, como reafirmou claramente o Concílio Vaticano II.

Ora uma finalidade importante da oração da Igreja doméstica é a de constituir, para os filhos, a introdução natural à oração litúrgica própria da Igreja inteira, no sentido quer de uma preparação para ela, quer de a alargar ao âmbito da vida pessoal, familiar e social. Daqui a necessidade de uma participação progressiva de todos os membros da família cristã na Eucaristia, sobretudo na dominical e festiva, e nos outros sacramentos, em particular nos da iniciação cristã dos filhos. As diretivas conciliares abriram uma nova possibilidade à família cristã, que foi incluída entre os grupos aos quais se recomenda a celebração comunitária do Ofício divino. Assim também está ao cuidado da família cristã celebrar, mesmo em casa e de forma adaptada aos seus membros, os tempos e as festividades do ano litúrgico.

Para preparar e prolongar em casa o culto celebrado na Igreja, a família cristã recorre à oração privada, que se apresenta sob uma grande variedade de formas: esta variedade, enquanto testemunho da riqueza extraordinária com a qual o Espírito anima a oração cristã, responde às diversas exigências e situações da vida de quem se volta para o Senhor. Além das orações da manhã e da tarde são de aconselhar expressamente - seguindo também indicações dos Padres Sinodais - a leitura e a meditação da Palavra de Deus, a preparação para a recepção dos sacramentos, a devoção e consagração ao Coração de Jesus, as várias formas de culto à Santíssima Virgem, a bênção da mesa, as práticas de piedade popular.

No respeito pela liberdade dos filhos de Deus, a Igreja propôs e continua a sugerir aos fiéis algumas práticas de piedade com solicitude e insistência particulares. Entre estas é de lembrar a recitação do Rosário: "Queremos agora, em continuidade de pensamento com os nossos Predecessores, recomendar vivamente a recitação do Santo Rosário em família... Não há dúvida de que o Rosário da bem-aventurada Virgem Maria deve ser considerado uma das mais excelentes e eficazes orações em comum, que a família cristã é convidada a recitar Dá-nos gosto pensar e desejamos vivamente que, quando o encontro familiar se transforma em tempo de oração, seja o Rosário a sua expressão frequente e preferida". Desta maneira a autêntica devoção mariana, que se exprime no vínculo sincero e na generosa série das posições espirituais da Virgem Santíssima, constitui um instrumento privilegiado para alimentar a comunhão de amor da família e para desenvolver a espiritualidade conjugal e familiar. Ela, a Mãe de Cristo e da Igreja, é também, de fato, de forma especial, a Mãe das famílias cristãs, das Igrejas domésticas.

 

Oração e vida

 

62. Nunca se deverá esquecer que a oração é parte constitutiva essencial da vida cristã, tomada na sua integralidade e centralidade; mais ainda, pertence à nossa mesma "humanidade": é "a primeira expressão da vida interior do homem, a primeira condição da autêntica liberdade do espírito".

Por isso, a oração não representa de modo algum uma evasão que desvia do empenho quotidiano, mas constitui o impulso mais forte para que a família cristã assuma e cumpra em plenitude todas as suas responsabilidades de célula primeira e fundamental da sociedade humana. Em tal sentido, a efetiva participação na vida e na missão da Igreja no mundo é proporcional à fidelidade e à intensidade da oração com que a família cristã se une à Videira fecunda, Cristo Senhor.

Da união vital com Cristo, alimentada pela Liturgia, pelo oferecimento de si e da oração, deriva também a fecundidade da família cristã no seu serviço específico de promoção humana, que de per si não pode não levar à transformação do mundo.