MINHA ALMA ESTÁ TRISTE ATÉ A MORTE

(Mt 26, 36-39; Mc 14, 32-36; Lc 22, 40-44)

 

Em Mt 26, 36-39 diz: “... e disse aos discípulos: ‘Sentai-vos aí enquanto vou até ali para orar’. Levando Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: ‘Minha alma está triste até a morte. Permanecei aqui e vigiai comigo’ E indo, um pouco adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: ‘Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres’”.

Em Mc 14, 32-36 diz: “E ele disse a seus discípulos: ‘Sentai-vos aqui enquanto vou orar’. E, levando consigo Pedro, Tiago e João, começou a apavorar-se e a angustiar-se. E disse-lhes: ‘A minha alma está triste até a morte. Permanecei aqui e vigiai’ E, indo um pouco adiante, caiu por terra, e orava para que, se possível, passasse dele a hora. E dizia: ‘Abba! Ó Pai! Tudo é possível para ti: afasta de mim este cálice; porém, não o que eu quero, mas o que tu queres’”.

Em Lc 22, 40-44 diz: “Chegando ao lugar, disse-lhes: ‘Orai para não entrardes em tentação’. E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: ‘Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!’ Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra”.

 

COMENTÁRIOS

 

 

Pe. Luis de la Palma

 

O Pe. Luis de la Palma comenta: Chegando à entrada do horto, Jesus ordenou que ficassem ali. Encarregou-os de velar e que não adormecessem, porque iria fazer suas orações, e para não caírem em tentação, que fizessem o mesmo.

Adentrou no horto com Pedro, João e Tiago; mas também se afastou deles à distância de um tiro de pedra (Lc 22, 41). O Senhor começou a sentir uma angústia profunda, e disse aos três discípulos mais queridos: “Minha alma está triste até a morte” (Mt 26, 38). A tristeza é um sentimento que nasce do pavor ou medo, ante a dor que se está para sofrer. Ambas as coisas, a tristeza e o medo, como se fossem duas pesadas pedras, oprimiram o Coração do Senhor até lhe causar angústia. Começou a ter pavor e angustiar-se (Mc 14, 33).

O Senhor tinha motivos para estar angustiado e triste. Durante toda a sua vida, sofreu por amor aos homens; mas naquele momento, a sua dor era ainda mais forte. É verdade que Jesus Cristo contemplava a Deus com infinita claridade, e quem vê a Deus desta maneira não sofre nenhuma aflição e goza de uma felicidade sem limites. Mas foi desejo de Deus que Jesus Cristo sofresse para que pudéssemos ser redimidos; sofreu a dor no seu corpo e sofreu tristeza e angústia na sua alma. Demonstrou que era um verdadeiro homem ao sofrer, ao sentir e ao comover-se. Não foi menos Redentor ao padecer fome, sede, cansaço e fadiga no seu corpo, como também, não foi menos Redentor ao padecer tristeza, medo e angústia na sua alma. Quando um homem sofre uma terrível dor física e tem ao seu alcance um remédio eficaz e não o utiliza, dizemos que este homem sofre porque quer. Do mesmo modo, o Senhor podia suprimir imediatamente a dor do seu corpo e da sua alma, mas não usou de seu poder divino, portanto, é certo que sofreu porque desejou. E esse foi, talvez, o desamparo de que se queixou na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46).

Uma das razões pelas quais Jesus Cristo quis sofrer a dor no seu corpo e na sua alma, foi para nos demonstrar que era verdadeiro homem, com a nossa mesma natureza, que sentia como nós a tortura e os insultos, que não era “de bronze e de pedra” (Jó 6, 12).

Quando sentimos a força das tentações, não devemos desanimar e pensar que perdemos a graça de Deus. Estes sentimentos não são pecados, mas manifestações da debilidade natural do homem. O Senhor quis sentir esta fraqueza, fazendo-se igual a nós – exceto no pecado – para que nós nos fizéssemos iguais a Ele, na fortaleza e na obediência à vontade de Deus... Como diz Santo Ambrósio: “Não devem ser considerados valentes, os que mais feridas recebem, mas os que mais sofrem por elas”. Quis o Senhor participar como nós das dores do corpo e também das tristezas da alma, porque quanto mais participasse dos nossos males, mais participantes nos fariam dos seus bens. “Tomou a minha tristeza – diz Santo Ambrósio para me dar a sua alegria; com meus passos desceu à morte, para que com os seus passos eu subisse à vida”.

Tomou o Senhor as nossas enfermidades para que fôssemos curados; castigou-se a si mesmo pelos nossos pecados, para que nós recebêssemos o perdão. Curou a nossa soberba com as suas humilhações; a nossa gula, bebendo fel; a nossa sensualidade, com a sua dor e a sua tristeza.

Por outros motivos que ultrapassam o conhecimento humano, nosso Senhor misericordioso e amoroso, quis ser açoitado, esbofeteado, coroado de espinhos, ter os pés e mãos perfurados; como também permitiu que os enviados das trevas o atormentassem e a tristeza se apoderasse do seu coração.

O Senhor teve muitos motivos para ficar triste, e como não quis que fossem atenuados, sofreu uma angústia de morte em seu Coração. Aquele dia fora exaustivo para Jesus. Caminhou de Betânia a Jerusalém, celebrou a ceia pascal, lavou os pés dos Apóstolos, instituiu o Sacramento da Eucaristia e o repartiu com seus discípulos. Conversou durante muito tempo, procurando animá-los e confortá-los; esquecendo-se de sua aflição, para acalentá-los, consumindo-se nesta entrega afetuosa. Disse-lhes que eles eram os seus amigos, os escolhidos, companheiros de suas penas; que deveriam estar mais unidos a Ele que o sarmento à videira; que a dor seria breve, e a alegria grande; que lhes enviaria o Espírito Santo para defendê-los e ensiná-los. Que Ele partiria na frente recebendo no seu corpo as feridas, e eles alcançariam a vitória depois. Disse-lhes por último que os deixaria, e que voltaria para seu Pai, e isto era uma felicidade tão grande, que deveriam ficar alegres, e depois retornaria e os levaria para junto d’Ele no céu.

Sofreu muito por Judas, demonstrou isto, várias vezes naquela noite, até o ponto de não poder disfarçar mais a tristeza. Lutando contra a dureza do seu coração, usou leves insinuações, palavras claras e diretas, e com provas de particular amizade e carinho, não conseguiu vencer. Teve tanta dor e desgosto, ao ver um amigo se converter em traidor.

Na despedida de sua Mãe, a dor de Maria Santíssima despedaçou o seu Coração.

Em todas estas ocasiões tinha procurado dominar-se, mostrar confiança, esconder o que se passava no seu íntimo; para confortar os seus e cumprir como dever naquela última ceia. Mas esta tristeza contida trouxe ainda mais dor, quando o Senhor se viu só no horto, longe dos oitos discípulos que haviam ficado à entrada, começou a chorar; mostrou toda a sua amargura, desejava aliviar o coração, consolar-se com o amor e a lealdade dos três discípulos mais queridos. E foi a eles que disse: “Minha alma está triste até a morte” (Mt 26, 38).

Sentia grande aflição ao ver a perversidade dos seus inimigos. Do ódio nascia o desejo de matá-lo, de inventar injúrias, de o torturarem e de zombarem de sua amargura. Era como se o inimigo triunfasse e Deus o tivesse abandonado. Deus o abandonou. Persegui-o e prendei-o, porque não há ninguém para livrá-lo (Sl 70, 11). Esta sensação de ser oprimido pelos seus inimigos, de que tinha chegado o momento de desejarem todo seu ódio contra Ele, fazia que chamasse ao Pai em seu auxílio: “Olhai, Senhor para minha miséria, porque o inimigo se ensoberbece” (Lm 1,9).

Ao escutarmos o bramido de um touro ou o rugido de um leão, mesmo protegidos, ficamos apavorados em imaginar o que poderia acontecer, se estas feras estivessem soltas; assim, podemos pensar na angústia que sentia Jesus, rodeado de tantas pessoas furiosas e com o poder de fazer com Ele o que quisessem. O povo escolhido voltou-se ferozmente contra Cristo, assim o profeta indicava: Meu povo foi para mim qual leão na floresta, a rugir contra mim (Jr 12, 8).

Em outra profecia, encontramos este ódio dos príncipes dos sacerdotes e do povo: Cercam-me touros numerosos, rodeiam-me touros de Basã; contra mim eles abrem suas goelas, como leão que ruge e arrebata (Sl 21, 13 – 14).

O Senhor conhecia os planos de seus algozes. Muito tempo antes o profeta antecipava toda dor e sofrimento: Instruído pelo Senhor, eu o desvendei. Vós me fizestes conhecer seus intentos. E eu, qual manso cordeiro conduzido à matança, ignorava as maquinações tramadas contra mim (Jr 11, 18-19).

Sabia também que nenhum amigo o defenderia, quando estivesse rodeado por seus inimigos sofrendo todo tipo de calúnia. Olho para a direita e vejo: não há ninguém que cuide de mim. Não existe para mim refúgio, ninguém que se interesse pela minha vida (Sl 141, 5). E o desamparo dos amigos o angustiava: Derramo-me como água, todos os meus ossos se desconjuntam; meu coração tornou-se como cera e derrete-se nas minhas entranhas (Sl 21, 15).

Com a proximidade de sua morte, estava em sua mente toda a dor e tormento que sofreria na cruz. Pensava na injustiça, nos insultos, nas calúnias, nos escárnios e nas agressões que sofreria. O simples fato de imaginar assustava mais que a própria morte. Os condenados têm os olhos vendados para atenuar este sentimento. Mas o Senhor não teve nenhum alívio. Salvai-me, ó Deus, porque as águas me vão submergir (Sl 68, 2).

Imaginava também: Pilatos por medo e respeito humano, enviando-lhe a Herodes, que o trataria como um louco na frente de seus cortesões; sendo devolvido a Pilatos, que mandaria açoitá-lo; os soldados colocando em sua cabeça uma coroa de espinhos para zombar de sua realiza; a sentença de morte na cruz. A dor e humilhação em seu Coração eram maiores quando imaginava sua Mãe, presenciando tudo, junto às mulheres que o seguiam.

Era impossível afastar de seu pensamento aquele lugar terrível: o Calvário. Anteviu sua crucificação: completamente despido, rebaixado como um marginal no meio de dois ladrões, suspenso por mais de três horas, insultado pelos inimigos e desamparado pelos amigos.

O Senhor não foi poupado de nenhum destes sentimentos. Foi tanta dor que começou a ter pavor e angustiar-se (Mc 14,33).

Para descansar um pouco, pediu aos três amigos: “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26, 38).

Apesar da grande dor e tristeza, nada impediria o Senhor em obedecer a seu Pai no oferecimento de sua vida para salvar a humanidade. Mas, com tamanho peso em seus ombros, Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra (Lc 22, 44).

Jesus Cristo participava da essência de Deus, e vivia como que arrebatado na ânsia de servi-lo com toda a força do seu amor. Conhecia todos os pecados cometidos e que seriam cometidos contra Deus. Não nos surpreende que Jesus sofresse tanto; talvez muitos homens tenham estado em situações mais dramáticas, mas lembre-se: Não chames valente a quem recebe mais feridas, mas ao que mais sofre por elas e as suporta. E ninguém como Cristo teve uma alma tão grande: a sua dor foi à medida de seu amor; não compreendemos inteiramente o seu amor, por isso não compreendemos sua dor.

A dor proveniente do arrependimento dos pecados levou alguns homens a morrer. Se esta fagulha do amor de Deus fez morrer estes santos, assim podemos imaginar o sofrimento de morte do Senhor, cujo amor a Deus e aos homens não tem medida, é fogo eterno!

Se o apóstolo São Paulo confidenciava que a preocupação com as igrejas era mais importante que seu cansaço e as perseguições que sofria, podemos imaginar como seria o sofrimento do Senhor, que tinha uma caridade infinitamente maior que este apóstolo e desejava salvar a todos, mesmo que fosse com a sua vida; que amava tanto aos homens e sabia a grande desgraça que é perder a amizade de Deus e ficar privado para sempre de sua presença e amor. Só Ele podia entristecer-se no fundo da alma pelas ofensas a Deus que ocasionariam a condenação eterna.

Nosso Senhor tinha tomado como se fossem seus todos os pecados, e estava disposto a pagar pessoalmente todas as dívidas perante o Pai ofendido. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós (Is 53,6). O Senhor com amor aceitou esta rigorosa sentença da justiça divina, e carregou todos os pecados cometidos e que se cometeriam até o fim dos tempos. É impossível calcular a maldade cometida pela humanidade, mais ainda, a dor de Cristo.

Quando uma pessoa paga a dívida de outra não fica com vergonha; pelo contrário, orgulha-se por pagar uma conta que não era obrigada. Mas Cristo pagou nossas dívidas como se fosse suas; por isso não pagou somente com o seu sangue, mas com a vergonha desses pecados: Continuamente estou envergonhado; a confusão cobre-me a face (Sl 43, 16). Pois foi por vós que eu sofri afrontas. Bem vedes minha vergonha (Sl 68, 8.20).

O Senhor também pediu perdão pelos pecados como se fossem seus. Quando alguém comete um delito, muitos amigos para não perder a honra, afirmam não o conhecer, e se um amigo ajuda, deixa claro que não tem nenhum vínculo com o ocorrido. Jesus de maneira inversa apresenta-se sempre para socorrer a todos diante do tribunal divino, mesmo que sejamos delinquentes e pecadores, chamando-nos em alta voz de amigos, irmãos, filhos, membros de seu corpo. Defende nossa absolvição e paga as nossas penas. Embora tivesse rogado três vezes para que se fosse possível afastar o cálice de sua morte, sabia que não seria atendido, pois carregava o peso de nossos pecados, como se fossem seus. E permaneceis longe de minhas súplicas e de meus gemidos? (Sl 21,2). “Como seria sua tristeza que o fez suar sangue. Que vergonha passaria quando diante de Deus, escutaria o peso de nossos pecados, como se fossem seus. Ai de nós, porque nós os fizemos!” (São João de Ávila).

Parece-nos que a tristeza de Jesus Cristo não poderia ser maior, mas aumentou mais ainda, pela nossa ingratidão. Viu que muitos não reconheciam, outros não apreciavam, e que vários não agradeciam seu esforço em nosso favor; e que mesmo depois de derramar o seu sangue para limpar nossa imundice, muitos terminariam na condenação eterna. Seu coração foi ferido de tal maneira que é impossível descrever com palavras. Sentia o novo pecado dos homens: o desprezo pelo seu amor. Essa ingratidão dilacera muito mais quando provêm dos cristãos, pois estes receberam as maiores provas de amor.

Diz-nos, Senhor, que sentes tu, que nos tens tanto amor, quando te desprezamos e nos esquecemos de ti?

Sentiu uma mistura de dor e consolação, quando seus discípulos lutavam contra as tentações. Viu sua mortificação e penitencia; as perseguições, injúrias e humilhações que sofreria; o trabalho, o cansaço e a dor, e muitas vezes seus martírio. Previu o padecimento de seus seguidores que seriam perseguidos por causa de seu nome e de sua doutrina. O Senhor tomou tudo para si, isto dilacerava seu Coração. Quando Saulo perseguia os cristãos, disse: Por que me persegues?, de forma análoga, as pedras que mataram o diácono Estevão, o fogo que queimou São Lourenço e as tribulações de seus santos foram assumidas por Cristo. O sofrimento de seu corpo místico, que é a Igreja, são os sofrimentos do seu próprio corpo. Ele que conhecia tudo e compreendia melhor que ninguém esta dor, em suas orações ofereceu tudo a seu  Pai.

Sabia que tudo é ordenado pela Providência Divina, que nem uma folha cai sem sua permissão. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a tua porta e ora ao teu Pai em segredo, e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á (Mt 6,6). Como tinha ensinado, afastou deles e caiu por terra (Mc 14, 35): Pai, meu Pai... Começou a consolar-se em seu Pai, o mesmo que lhe enviava para a morte. Obedecia como Filho, mas ao contrário de Isaac, seus olhos estavam abertos. Ensinou a chamar Deus de Pai, mesmo quando parece que nos castiga.

Meu Pai, se é possível (Mt 26, 39), se é do teu agrado afasta de mim este cálice! (Lc 22,42). Suplicava para não beber do cálice amargo: Eu não quero nada que Tu não queiras; porém, se Tu queres, se é possível, faz que não beba este cálice. Sentir aversão perante a dor e querer evitá-la, não diminui o mérito, pelo contrário, aumenta, quando se conforma com a vontade de Deus. Jesus mostrou sua aversão natural ante a dor – Afasta de mim, este cálice – mas acrescentou: Se é possível, se tu queres. Assim Cristo submete-se e abraça a vontade do Pai: “Todavia não se faça o que  quero, mas sim o que tu queres” (Mt 26,39).

 

Edições Theologica

 

Edições Theologica explica: É nesta hora suprema que Nosso Senhor deixa entrever toda a realidade e a delicada sensibilidade da sua natureza humana. Rigorosamente falando, Cristo teria podido, graças ao domínio que tinha de si mesmo, impedir esta emoção das faculdades sensíveis, Mas assim mostra-se melhor o mistério da sua verdadeira Humanidade e, na mesma medida, torna-se mais fácil de imitar. O Demônio, depois das tentações com que o tinha acometido no deserto, “afastou-se d’Ele até um certo tempo” (Lc 4, 13). Agora, durante a Paixão volta ao ataque apoiando-se para isso na repugnância da carne pelo sofrimento, porque está é a sua hora “e o poder das trevas” (Lc 22, 53).

Sentai-vos aqui (como se não quisesse desanimá-los com o espetáculo da sua agonia) e velai comigo para me fazerdes companhia e também para que vos vades preparando pela oração para as tentações que se avizinham. E adiantou-se um pouco, isto é, à distância de um tiro de pedra (Lc 22, 41). Como estava em tempo de lua cheia, os Apóstolos podiam ver Jesus; os mais próximos até talvez tivessem podido ouvir algumas palavras da oração do seu Mestre. Esta suposição, porém, não basta para explicar o número e a precisão dos pormenores do relato. É de crer que o Senhor, depois da sua Ressurreição, comunicasse aos seus discípulos as angústias da sua agonia (At 1, 3), da mesma forma que lhes tinha contado as tentações no deserto (Mt 4, 1).

Chama a atenção o modo tão humano com que Jesus enfrenta a sua iminente Paixão e Morte. Sente o que todo o homem sentiria nesses momentos. “Levou consigo apenas três discípulos que tinham contemplado a sua glória no monte Tabor, para que aqueles que viram o seu poder vejam também a sua tristeza e descubram nessa mesma tristeza que era verdadeiro homem. E, porque tinha tomado toda a humanidade, tomou as propriedades do homem: o temor, a angústia, a natural tristeza; pois é lógico que os homens vão para a morte contra a sua vontade” (Teofilacto).

A oração do horto mostra-nos, como nenhum outro testemunho dos Santos Evangelhos, que a oração do Senhor era também de petição. Não só pelos outros, mas por si próprio. Porque havia na unidade da sua Pessoa duas naturezas, a humana e a divina; e, como a vontade humana não era onipotente, convinha que Cristo pedisse ajuda ao Pai para fortalecer tal vontade (Suma Teológica, III, q. 21, a. 1).

Uma vez mais, Jesus ora com um sentido profundo da sua filiação divina (Mt 11, 25; Lc 23, 46; Jo 17, 1). Só São Marcos nos conserva na própria língua original a exclamação filial de Jesus ao Pai: “Abbá”, que é o nome com que os filhos se dirigem intimamente a seus pais. Uma confiança filial semelhante é a que há de ter todo o cristão na sua vida, e de modo especial na oração. Neste momento culminante, Jesus volta a retirar-se para a solidão do diálogo com seu Pai e pede aos discípulos que orem para não caírem na tentação. É de notar que os evangelistas, movidos pelo Espírito Santo, recolhem tanto a oração de Jesus, como o mandato de orar. Não se trata de um acontecimento ocasional, mas de um episódio que é modelo do que devem fazer os cristãos: rezar como meio imprescindível para se manterem fiéis a Deus. Quem não rezar, que não tenha ilusões de superar as tentações do Demônio: “Se o Senhor nos dissesse somente vigiai, pensaríamos que podíamos fazer tudo sozinhos; mas quando acrescenta orai, mostra-nos que, se Ele não cuidar das nossas almas no tempo da tentação, em vão vigiarão aqueles que cuidam dela (Sl 127, 1) (São Francisco de Sales).

Ao chegar ao horto o Senhor dispõe-se a viver a hora suprema da sua agonia. Antes de se afastar um pouco para orar, pede aos discípulos que perseverem também em oração. Avizinha-se para eles uma grave tentação de escândalo ao ver que é preso o Senhor (Mt 26, 31). Jesus Cristo anunciou-lhes durante a Última Ceia (Jo 16, 32); agora adverte-os de que se não permanecerem vigilantes e a orar não resistirão à provação.

Jesus orava de joelhos. São Muitas as passagens dos Evangelhos que nos falam da oração do Senhor, mas só desta vez se descreve a sua atitude exterior, que se deve ter repetido noutras ocasiões. A posição de joelhos é uma manifestação da atitude interior de humildade diante de Deus.

Jesus Cristo é perfeito Deus e perfeito Homem: igual ao Pai enquanto Deus, menor que o Pai enquanto homem. Por esta razão, enquanto homem, podia e devia fazer oração. Assim o fez durante toda a sua vida. Agora, quando o padecimento espiritual é tão intenso que o faz entrar em agonia, o Senhor dirige-se a seu Pai com uma oração que mostra ao mesmo tempo a sua confiança e a sua angústia: Chama-o com o entranhável nome de “Abbá”, Pai, e pede-lhe que afaste d’Ele este cálice de amargura. Atormenta o Senhor o conhecimento das imensas dores da Paixão que aceita voluntariamente; pesam sobre Ele todos os pecados do gênero humano, a infidelidade do povo escolhido e o escândalo dos seus discípulos. Todas estas causas de aflição eram captadas em toda a sua intensidade pela alma de Cristo. A angústia do nosso Redentor é tal que chega a suar sangue. Este fenômeno extraordinário é prova da aflição extrema do Senhor; a sua natureza humana aparece aqui em toda a sua capacidade de sofrimento.

Jesus persevera na mesma oração: Não se faça a minha vontade, mas a tua. Manifesta assim a realidade da sua vontade humana e a sua perfeita conformidade com a Vontade divina. Esta oração do Senhor é, além disso, uma lição perfeita de abandono e de união com a Vontade de Deus, traços que devem acompanhar sempre a nossa oração, sobretudo, nos momentos de dificuldades.

Repetidamente aparece no Evangelho a intervenção dos anjos na vida do Senhor. Um anjo anuncia à Santíssima Virgem o mistério da Encarnação (Lc 1, 26); coros angélicos louvam a Deus no nascimento de Jesus em Belém (Lc 2, 13); os anjos servem-no depois das tentações no deserto (Mt 4, 11); agora Deus Pai envia um anjo para que o conforte na agonia.

 

São Tomás More

 

São Tomás More escreve: Avançou Cristo uns passos e, de repente, sentiu no seu corpo um ataque tão amargo e agudo de tristeza e de dor, de medo e de abatimento, que, embora estivessem outros junto d’Ele, o levou a exclamar imediatamente palavras que indicam bem a angústia que oprimia o seu Coração: A minha alma está triste até a morte. Um peso esmagador começou a ocupar o corpo bendito e jovem do Salvador. Sentia que a prova era agora já algo iminente e que estava a ponto de tombar sobre Ele: o infiel e pérfido traidor, os inimigos enfurecidos, as cordas e as cadeias, as calúnias, as blasfêmias, as falsas acusações, os espinhos e as pancadas, os cravos e a cruz, as torturas horríveis prolongadas durante horas. Mais que tudo isto o esmagava  e doía-lhe o espanto dos discípulos, a perdição dos Judeus, e inclusivamente o fim desgraçado do homem que perfidamente o atraiçoava. Acrescia, além disso, a inefável dor de sua Mãe queridíssima. Pesares e sofrimentos revolviam-se como um redemoinho tempestuoso em seu Coração amabilíssimo e inundavam-no como as águas do oceano avançam sem piedade através dos diques destruídos. O medo à morte ou aos tormentos nada tem de culpa, mas antes de pena: é uma aflição das que Cristo veio para padecer e não para escapar. Nem se há de chamar covardia ao medo e horror diante dos suplícios. Não obstante, fugir por medo à tortura ou à própria morte numa situação em que é necessário lutar, ou também, abandonar toda a esperança de vitória e entregar-se ao inimigo, isto, sem dúvida, é um crime grave na disciplina militar. Além disso, não importa quão perturbado e assustado pelo medo esteja o ânimo de um soldado; se apesar de tudo avança quando o manda o capitão, e marcha e luta e vence o inimigo, nenhum motivo tem para temer que aquele seu primeiro medo possa diminuir o prêmio. De fato, deveria receber inclusivamente maior louvor, visto que teve de superar não só o exército inimigo, mas também o seu próprio temor; e este último, com frequência, é mais difícil de vencer que o próprio inimigo.

 

São Josemaría Escrivá

 

São Josemaría Escrivá comenta: Jesus ora no horto: Meu Pai (Mt 26, 39), Abba, Pai (Mc 14, 36). Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento?

Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como ao seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu Getsêmani; mas, prostrado em terra, reconhecendo o meu nada, subirá ao Senhor um grito do íntimo da minha alma: Meu Pai, Abba, Pai... faça a sua Vontade!

 

Pe. Juan Leal

 

O Pe. Juan Leal ensina: Para não entrardes em tentação, isto é, para não cair nela. Afastando dos Apóstolos na distância de um tiro de pedra segundo São Lucas 22, 41, caiu primeiro de joelhos em terra, e depois prostrou todo seu corpo até o solo para mostrar sua profunda reverência para com o Pai e a espantosa amargura em que estava mergulhado seu Coração. Nesta atitude humilde começa sua oração, que nos revela as angústias mortais que então atormentavam a alma de Cristo. Em sua oração temos de distinguir duas partes: na primeira expressa a repugnância de seu apetite sensitivo e de sua vontade natural aos tormentos da paixão. Por isso pede que, se é possível, que afaste aquele cálice tão amargo. Na segunda parte explicitamente manifesta ao Pai o desejo de sua vontade deliberada e absoluta de que se cumpra a vontade do Pai. Esta luta entre a parte inferior e superior da vontade de Cristo é uma prova manifesta de que tomou uma verdadeira natureza humana com todas suas debilidades, com exceção do pecado e de todas as desordens morais que dela procedem. Aparece claramente no modo de Cristo falar que há n’Ele duas vontades, uma divina e outra humana, conforme à qual pede como homem a seu Pai que o livre dos padecimentos da paixão. Jesus Cristo, em sua natureza humana, inferior à dos anjos (Hb 2, 7-9), é consolado por um anjo que vem da parte de Deus. O suor de sangue deve tomar-se em sentido próprio, de sangue físico que saiu através da transpiração... seu suor foram gotas de sangue que caía gota a gota na terra. A terra deve tomar-se em sentido amplo. A violência da agonia ou luta tem seu efeito fisiológico, que se revela no suor de sangue. O suor foi abundante, pois caiu em gotas por terra. Trata-se de um fenômeno natural, muito raro, que não deve explicar-se por via de milagre.

 

Daniel-Rops

 

Daniel-Rops comenta: Sentai-vos aqui – disse Jesus aos seus discípulos, quando eles entraram no jardim. Quanto a mim, irei mais longe, para orar. E vós rezai também, a fim de não sucumbirdes à tentação. Levou consigo apenas Pedro e os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. O espanto e o desgosto, a tristeza e a agonia começavam a invadi-lo. – A minha alma está triste até a morte – declarou: ficai aqui e velai comigo, ao mesmo tempo! Depois, afastando-se até ao alcance duma pedra arremessada, ajoelhou-se e, de face contra a terra, suplicou: – Meu Pai, se é ainda possível afastai de mim este cálice de amargura. No entanto, seja feita a vossa vontade e não a minha! A noite deveria estar fria, naquele retiro de sombra; do outro lado do Cedron erguiam-se as paredes do Templo, azuis sob o luar, rematadas pelas colunatas dos pórticos.

 

Santo Antônio Maria Claret

 

Santo Antônio Maria Claret ensina: Depois de dizer o hino de ação de graças, saiu Jesus do Cenáculo com seus discípulos, entrou no jardim do Getsêmani e começou a orar; mas apenas começa a sua oração, acomete-o ao mesmo tempo um grande temor, um grande tédio e uma grande tristeza: começou a apavorar-se, a angustiar-se, diz São Marcos 14, 33; e São Mateus acrescenta: começou a entristecer-se e a agoniar-se (Mt 26, 37). Oprimido de tamanha tristeza nosso Redentor diz que sua bendita alma está aflita com angústia de morte: Triste está minha alma até a morte (Mc 14, 34). Apresentou-se então à sua imaginação a fúnebre representação de tantos tormentos e opróbrios que lhe estavam preparados. Estes tormentos durante sua paixão afligiram-no um depois do outro, mas agora vieram a atormentá-lo todos ao mesmo tempo: as bofetadas, os escarros, os açoites, os espinhos, os vitupérios que havia de sofrer sucessivamente, abraçava-os então todos juntos; e à vista e experiência deles teme, agoniza e reza. Posto em oração orava mais demoradamente (Lc 22, 44).

 

Pe. Juan de Maldonado

 

Pe. Juan de Maldonado explica: São Pedro, São Tiago e São João Evangelista. Por que tomou alguns Apóstolos consigo? Não é difícil de explicar. Quis ter testemunhas de sua oração, de sua dor e do suor de sangue. Por que Jesus escolheu esses três e não outros? Porque, segundo Santo Hilário, São João Crisóstomo e Teofilacto, este três tinham visto sua glória e majestade na transfiguração no Monte Tabor, e era de temer que outros que não presenciaram aquela cena se escandalizassem com esta, vendo a fraqueza de Cristo.

Porém, pode-se responder mais simplesmente dizendo que tomou estes três, e não outros, porque confiava mais nesses, e por isso os levava consigo em ocasiões de segredo, como foi na transfiguração.

Nosso Senhor começou a entristecer-se e a afligir-se. Isto é, a afligir-se e a angustiar-se. A palavra grega significa entristecer-se com o veemente medo do que se teme, até ficar o paciente exânime e fora de si. Os evangelistas São Mateus e São Marcos, que usaram este verbo, só quiseram declarar-nos a grandeza da tristeza de Jesus Cristo.

Antigamente alguns autores, segundo São João Crisóstomo e Santo Ambrósio, negaram as realidades destes sentimentos no Senhor; também São João Damasceno o afirma de alguns hereges. Não se sabe se Santo Hilário participou imprudentemente desse erro, porque ele diz algo muito parecido no livro X De la Trinidad, onde diz que Cristo não sofria dor. Segundo Evagrio, o Imperador Constantino fez a mesma afirmação dizendo que Cristo era impassível. Jesus Cristo é a melhor testemunha dizendo que sua alma estava triste até a morte. Outros autores, pelo contrário, diz Santo Tomás de Aquino, chegaram a afirmar que até a divindade de Jesus Cristo sofreu dor e a paixão; esses ignorantes não entendiam a divindade. Outros dizem que a tristeza de Cristo não foi paixão, mas propaixão, como dizem os gregos; e a diferença entre ambos os termos é a que põem hoje nossos teólogos entre primeiros e segundos movimentos. Paixão é, dizem, a que perturba de alguma maneira o ânimo e arranca algum consentimento, ainda que imperfeito, da vontade. E propaixão, a que inquieta o homem e o faz experimentar alguma dor e prazer, porém, não tira a sua paz. Desta maneira creem Orígenes, São Jerônimo e São Beda que Cristo foi contristado e que esta é a força particular da palavra começou; como se houvesse iniciado o fenômeno, porém, não passou adiante, pois a propaixão não chega à paixão. Mas bem creio eu que a paixão significa que Cristo não foi forçado a afligir-se quando se lhe apresentou o objeto de perigo, mas que se contristou quando quis, quanto quis e como quis, segundo pode apreciar-se no contexto. Pouco antes, estando com os onzes discípulos, não se havia contristado, porque não queria que sua tristeza fosse conhecida de todos; e em seguida que se separou deles e se uniu aos três mais familiares, começou a entristecer-se, segundo notaram os evangelistas, indicando que se afligiu quando quis e como quis. São João Damasceno explicou muito bem a diferença entre nossas paixões e as de Jesus Cristo: as nossas paixões se adiantam à ação da vontade, e as de Cristo a seguem; isto é, que nós, ainda que não queiramos, temos paixões, Cristo somente querendo-as. Além disso, as nossas nascem de natural consequência do pecado original, e as de Cristo, não do pecado nem da necessidade, mas de sua misericórdia.

Como pode ser que Jesus Cristo, que era bem-aventurado, tivesse tristeza? Alguns dizem que era bem-aventurado somente na parte superior da alma; que seu corpo, todavia, não o era, porque, a fim de que pudesse padecer não lhe havia afetado a bem-aventurança; e a tristeza foi na parte inferior que está no corpo. Porém, Jesus Cristo nos diz que é sua alma a que está triste até a morte; com essa palavra indica que a tristeza se havia transbordado por toda sua alma; e depois acrescenta: Não como eu quero, mas como tu. E outro evangelista diz claramente: Não faça a minha vontade, mas a tua. É dizer, bem claramente, que também na vontade, que é a parte superior da alma, se havia afligido e evitava morrer. Em Jesus Cristo havia duas vontades: divina e humana.

E por que Cristo afligiu-se? Santo Hilário, São Jerônimo e São Beda dizem que não foi por medo da morte, mas por comiseração (compaixão) dos discípulos que haviam de suportar escândalo: tal é o valor da frase... minha alma está triste até a morte. Como se dissesse: Quando vier a morte, já não estarei triste, porque o escândalo terá passado. Jesus Cristo temeu de verdade, porém, espontaneamente e livremente; e assim, ainda que tivesse temido a morte mais que a temeram seus mártires, não se poderá dizer que foi mais tímido que eles. Não foi, mas sim, foi fortíssimo, o que teme quando quer. De sorte que não há mais remédio que admitir que Cristo temeu a morte; o qual não poderia negar-se sem negar a autoridade da Escritura.

Pois, se por sua vontade temeu, por que quis temer? Poderia responder com outra pergunta: se por sua vontade morreu, por que quis morrer? Por nós, verdade! Pois por nós também sofreu... antes da morte sofreu dores, tristezas e o suor de sangue. Cristo não quis morrer por nós repentinamente, mas aceitou a morte com todos seus horrores: a dor, os açoites, os insultos, a vergonha e outras penas. São Jerônimo, São Beda, Eutimio, Teofilacto e Santo Agostinho escrevem: Temeu e se contristou Cristo para manifestar-se verdadeiro homem; assim mesmo, para que seus membros, isto é, os fiéis, se alguma vez se afligem, não creem que seja pecado. Porém, por que se contristou com maior veemência que os demais homens só pelo medo, até ao ponto de suceder o que conta São Lucas 22, 44, que gotas de sangue, ou, como diz o grego, coágulo de sangue ou grandes gotas dele saíssem de seu corpo e corressem pela terra? Avisa Santo Hilário e São Jerônimo que em seu tempo esta passagem, próprio de São Lucas, do sangue e do anjo que apareceu para Jesus Cristo, faltava em muitos códices gregos e latinos. Alguns autores não honram o texto, é verdade, porém enfraquecem seu sentido, como se na realidade Cristo não houvesse suado sangue, mas que apenas sentiu grandíssimo temor, como as pessoas que sofrem angústias, mas não suam sangue (Eutimio e Teofilacto). Porém, o evangelista disse textualmente que as gotas de sangue correram por terra; o qual não pode explicar-se de outro modo senão que Cristo suara verdadeiramente sangue. Pensam outros que esse suor de Cristo é milagroso e fora das leis da natureza, e que tem seu mistério: e que todo o corpo de Cristo, que é a Igreja, cai banhado no seu sangue. Eu entendo que o suor foi natural, ainda raro, e, por isso, talvez tido por milagroso, como sucede com todas as coisas raras. Vemos que todas as pessoas atacadas de um medo repentino suam de angústia; pois de análoga maneira Jesus Cristo, que era por natureza delicadíssimo, sabendo do gênero de morte que o esperava, suou sangue. A maior admiração é que Jesus Cristo se assustasse tanto com a morte, que suasse sangue. Responde Santo Tomás de Aquino que não foi só a morte, mas principalmente a causa dela, isto é, os pecados dos homens.

Minha alma está triste até a morte. A tristeza invadiu a alma de Nosso Senhor. Até a morte. Segundo Orígenes, Santo Hilário e São Jerônimo, significa que está triste sua alma, porém que esta tristeza não durará senão até a morte. Outros dizem: Minha alma está triste até a morte, isto é, Cristo estava triste que a sua aflição poderia causar-lhe a morte... como se dissesse: Morro de dor, morro de fome. O verdadeiro sentido é o que indica Eutimio: Minha alma está triste até a morte, isto é, tão triste como se já tivesse morrido, segundo disse Davi: Cercam-me laços de morte (Sl 114, 3), isto é, tão grandes como os que na morte se sentem.

Esperai aqui. Aos outros discípulos lhes havia dito pouco antes que permanecessem ali e que se sentassem ou descansassem; que ficassem atentos em vigília, isto é, que fizessem guarda, pois o perigo estava próximo, e que queria que fossem testemunhas. Ele ordenou que não só permanecessem ali e que vigiassem, mas também que rezassem.

E adiantando-se um pouco. São Lucas diz que a distância de um tiro de pedra Lc 22, 41. Por que Jesus se afastou dos discípulos para rezar? Santo Tomás de Aquino diz que para seguir o mesmo conselho que Ele havia dado: Tu, porém, quando orares, entre no teu quarto e, fechando tua porta (Mt 6, 6).

Prostrou-se. São Marcos disse que Jesus prostrou-se por terra. São Lucas disse que Jesus colocou-se de joelhos. Entende-se, então, que Nosso Senhor não se prostrou totalmente por terra, mas, colocou-se de joelhos. São Marcos disse prostrou-se, porque quem se ajoelha, prostra-se de alguma maneira.

Pai, se é possível. Jesus Cristo sabia que absolutamente era possível para Deus, como São Marcos escreve: Pai, Pai, todas as coisas te são possíveis (Mc 14, 36): Porém, o decreto divino que determinava que Cristo morresse por nós, sabia Ele, se era possível, que o cálice passasse? Por que, então, pedia que, se era possível, que passasse esse cálice? Deixava que sua natureza humana se manifestasse tal como era, do mesmo modo que se não estivesse unida à sua divindade nem soubesse nada do divino decreto. Santo Agostinho diz que se possível vale tanto como se tu quiseres.

Afasta de mim. Quer dizer que não o beba eu.

Este cálice. A paixão, esta terrível morte, se chama cálice. São Jerônimo e São Beda acreditam que disse este cálice para indicar o cálice dos judeus, isto é, seu pecado e perdição; pois Cristo não temia sua morte própria, mas a desgraça dos judeus.

Não como eu quero, mas como tu queres. Está claro que em Jesus Cristo existem duas naturezas: humana e divina. Alguém poderia perguntar: Como pode Jesus Cristo recusar a morte com a vontade humana, quando Deus queria que morresse? Parece que teve vontade contrária à divina; o qual não pode haver sem pecado; pois, como disse Santo Agostinho, o pecado é dito, ação ou desejo contra a lei de Deus e sua divina vontade. Esta vontade de Jesus Cristo, com a qual recusou a morte, não foi plena e perfeita, como dizem os teólogos, mas condicional; pois não dizia: não quero morrer, mas, não queria morrer se fosse possível; e esta vontade não é pecado, devido a condição.

 

Santo Afonso Maria de Ligório

 

Santo Afonso Maria de Ligório escreve: Sabendo Jesus que era chegada a hora de sua paixão, depois de haver lavado os pés de seus discípulos e instituído o Santíssimo Sacramento do Altar, no qual nos deixou todo a si mesmo, se dirige ao horto de Getsêmani, onde seus inimigos iriam procurá-lo para o prender, como já era de seu conhecimento. Aí põe-se a orar e eis que se sente assaltado por um grande temor, um grande tédio e uma grande tristeza: Começou a ter pavor, tédio e tristeza (Mc 14,33; Mt 26,37). Assaltou-o primeiramente um grande temor da morte tão amarga que devia sofrer sobre o Calvário e de todas as angústias e desolações que deveriam acompanhá-la. No decurso de sua paixão, os flagelos, os espinhos, os cravos e os outros tormentos o afligiram cada um por sua vez; no horto, porém, vieram todos juntos atormentá-lo. Ele os abraça a todos por nosso amor, mas isso o faz tremer e agonizar: Posto em agonia, orava com maior instância (Lc 22,44). Doutro lado, assalta-o um grande tédio ou repugnância pelo que devia sofrer e por isso suplica ao Pai que o livre disso: Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice (Mt 26,39). Ele orou assim para ensinar-nos que bem podemos pedir a Deus nas tribulações que nos livre delas, mas ao mesmo tempo devemos nos submeter à sua vontade e dizer então como Jesus: Contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres. Sim, meu Jesus, não se faça a minha vontade, mas a vossa. Eu aceito todas as cruzes que quiserdes enviar-me. Vós, inocente, tanto sofrestes por meu amor; é justo que eu, pecador, réu do inferno, padeça por vosso amor tudo o que determinardes. Assaltou-o também uma tristeza tão grande, que bastaria para lhe dar a morte, se Ele não a tivesse detido, para expirar crucificado por nós, depois de ter sofrido ainda mais. Minha alma está triste até a morte (Mc 14,34). Essa grande tristeza foi motivada pela vista da ingratidão futura dos homens, que, em vez de corresponder a tão grande amor, haveriam de ofendê-lo com tantos pecados, o que o faz suar sangue: E seu suor se fez como gotas de sangue correndo sobre a terra (Lc 22,44). Assim, ó meu Jesus, mais cruéis que os carrascos, os flagelos, os espinhos, a cruz, foram os meus pecados que tanto vos afligiram no horto. Fazei-me participar daquela dor e aversão que experimentastes no horto, para que eu chore amargamente até à morte, os desgostos que eu vos dei. Eu vos amo, ó meu Jesus, acolhei um pecador que vos quer amar.

 

MENSAGENS PARA A VIDA

 

1.ª mensagem: Excesso de amor.

 

Por excesso de amor, Jesus Cristo sujeitou-se a sofrer tristeza e aflição mortais no Monte das Oliveiras. Via diante de si todas as fases de sua paixão e morte, da qual se horrorizava sua natureza humana: “Ó Jesus, Tu és um louco de amor...” (Santa Maria Madalena de Pazzi), e: “O amor de Jesus Cristo aos homens era tanto que desejava a hora de sua morte para lhes mostrar o afeto que lhes tinha” (Santo Afonso Maria de Ligório), e também: “Devo receber o batismo, e quanto o desejo até que ele se realize” (Lc 12, 50).

Se Jesus Cristo nos ama, deixemos de lado a ingratidão e a indiferença e o amemos de todo o coração. O caminho mais curto para a santidade consiste em amar a Nosso Senhor sobre todas as coisas, como ordena o primeiro mandamento: “Alguns põem a perfeição na austeridade da vida, outros na oração, estes na frequência dos sacramentos, aqueles nas esmolas. Enganam-se. A perfeição consiste em amar a Deus de todo o coração” (São Francisco de Sales), e: “É pouco demais só um coração para amar a Deus que ama tanto e é tão capaz de ser amado, merecedor de um amor infinito. Como então ainda dividir este coração entre as criaturas e o Criador?” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

2.ª mensagem: Sofreu para nos consolar.

 

Sofreram seu corpo e sua alma para assim dar satisfação por todas as culpas. Jesus Cristo padeceu para nos servir de consolo nas horas de dor e, principalmente, na hora da morte.

Quando o sofrimento pesar em nossos ombros, contemplemos o Servo Sofredor e aprendamos d’Ele a carregar com serenidade as cruzes de cada dia. Ele nos consola com o seu sofrimento contínuo: “... também Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos” (1 Pd 2, 21).

 

3.ª mensagem: Paciência na dor.

 

Jesus Cristo, manso Cordeiro, não se impacientou diante de tão grande provação no Getsêmani.

O exemplo de Cristo paciente é sempre para os seus seguidores ponto obrigatório de referência: por grandes que sejam os sofrimentos que se padeçam, nunca serão tantos nem tão injustos como os do Senhor: “Não existe coisa mais agradável a Deus do que sofrer com paciência e paz todas as cruzes por ele enviadas” (Santo Afonso Maria de Ligório), e: “Bem-aventurado o homem que suporta com paciência a provação! Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1, 12).

 

4.ª mensagem: Os amigos de Jesus Cristo são provados.

 

Aos três Apóstolos que o viram transfigurado no Monte Tabor, mostrou também a sua aflição no Getsêmani.

Não está isento de dor e provações quem recebe consolações divinas. Quem é amigo íntimo de Deus e fiel à sua Lei não deve ficar assustado e perturbado diante das provações: “Como Deus tratou seu Filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que Ele ama e recebe como filhos” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

5.ª mensagem: Fazer a vontade de Deus.

 

Jesus orou no Getsêmani para ensinar-nos que bem podemos pedir a Deus nas tribulações que nos livre delas, mas ao mesmo tempo devemos nos submeter à sua vontade e dizer: Contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres.

O caminho da vontade divina, essa estrada soberana que conduz ao céu, é um caminho reto. É de todos os caminhos o mais fácil, o mais perfeito e o mais rico de merecimentos: “A vontade de Deus é a nossa salvação” (Pe. Richard Gräf).

 

6.ª mensagem: Combater o próprio medo.

 

No Getsêmani, Jesus orava com maior insistência: E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda” (Lc 22, 44). Por um lado Nosso Senhor receava a paixão, por outro a desejava, combatendo o próprio medo.

Diante das dificuldades devemos rezar com insistência e perseverança. Imitemos o Salvador! Muitas vezes teremos de lutar contra a lei da carne, para que prevaleça a do espírito. Quanto maior for a nossa aflição, mais ardentemente devemos rezar. Deus premeia o bom combatente: “Entre todos os remédios contra as tentações, o mais eficaz e mais necessário, o remédio dos remédios, é suplicar a Deus o seu auxílio e continuar a pedir enquanto durar a tentação” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

7.ª mensagem: Gratidão a Jesus Cristo.

 

Nosso Senhor sofreu muito no Getsêmani: “... e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra” (Lc 22, 44).

Contemplemos com santa comoção o triste estado do Filho de Deus que sofre por nós. Estávamos doentes; Ele, derramando abundante suor de sangue curou-nos do mal. Éramos culpados; Ele sofre o castigo que nos era devido. Como mostramos até hoje nossa gratidão ao Senhor? Ou pertencemos, por acaso, aos ingratos? “Ao tomar conhecimento da grande dívida que tem para com Deus, a pessoa se esforça por viver virtuosamente, pois sabe que Deus não lhe pede outra coisa. Portanto, meus bondosos filhos, recordai-vos dos inúmeros favores dados por Deus, de modo que assim adquirais essa mãe-virtude, a gratidão” (Santa Catarina de Sena).

 

8.ª mensagem: Servir a Jesus Cristo com dedicação.

 

Jesus Cristo suou sangue por nosso amor... o sangue do Bondoso Senhor correu por terra: “... e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra” (Lc 22, 44).

É correto permanecermos de braços cruzados diante de tanto amor? Não! Por amor d’Ele não podemos recear nem fadiga, nem suor, nem perda do próprio sangue... devemos servi-lo com dedicação e garra: “Decidimos, contudo,  confiados em nosso Deus, anunciar-vos o evangelho de Deus, no meio de grandes lutas” (1 Ts 2, 2).

 

9.ª mensagem: O anjo da guarda nos consola nos sofrimentos.

 

Jesus Cristo, em sua natureza humana, inferior à dos anjos (Hb 2,7-9), é consolado por um anjo que vem da parte de Deus: “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava” (Lc 22, 43).

Quem permanece fiel a Deus nas provações... no auge da dor, quando mais necessitar da ajuda do alto, ela virá: “Deus não deixou nossa franqueza sem ajuda; mas, destinou-nos um Anjo para auxiliar a vida de cada um de nós, e esse Anjo é de natureza totalmente incorpórea” (São Gregório Nazianzeno).

 

10.ª mensagem: Aceitar com humildade a ajuda do próximo.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus Poderoso, aceitou a consolação dum anjo: “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava” (Lc 22, 43).

Se Jesus deixou-se consolar por uma criatura, um anjo; por que rejeitarmos com orgulho o conselho e o auxílio de uma pessoa que nos quer o bem? “Ouve o conselho para chegares a ser sábio depois” (Pr 19, 20).

 

11.ª mensagem: Ânimo nas horas difíceis.

 

Sabia Jesus Cristo que muitas pessoas de constituição débil se encheriam de terror diante do perigo de serem torturadas, e quis dar-lhes ânimo com o exemplo da sua própria dor, da sua própria tristeza, do seu próprio abatimento e medo inigualável.

Contemplando os sofrimentos de Jesus Cristo, as pessoas débeis e frouxas tornam-se fortes e prontas para seguir em frente no caminho das provações: “Tu temeroso e enfermiço, toma-me a mim como modelo. Desconfiado de ti, espera em mim. Olha como caminho diante de ti neste caminho tão cheio de temores. Agarra-te à orla do meu manto, e sentirás fluir dele um poder que não permitirá que o sangue do teu coração se derrame em vãos temores e angústias” (São Tomás More).

 

12.ª mensagem: Viver sempre na presença de Deus.

 

Devemos estar sempre com o Senhor, também nos momentos de dificuldades e de tribulações; este mandato assinala-nos os meios que devemos empregar: a oração e a vigilância: “Orai para que não entreis em tentação” (Lc 22, 40).

É muito fácil e cômodo seguir a Jesus Cristo quando está tudo bem na vida... mas o Senhor quer que o sigamos sempre, também nas provações...  fortalecidos com a oração e vigilantes para não tropeçarmos: “Tem muitos sedentos de consolações, raros de tribulações... Todos desejam gozar com ele; poucos querem sofrer alguma coisa por seu amor” (Tomás de Kempis).

 

13.ª mensagem: Vigiar e orar para permanecer de pé diante das tentações.

 

Ao chegar ao horto o Senhor dispõe-se a viver a hora suprema da sua agonia. Antes de se afastar um pouco para orar, pede aos discípulos que perseverem também em oração. Jesus adverte-os de que se não permanecerem vigilantes e a orar não resistirão à provação.

Quem quiser vencer as provações que surgem pelo caminho deve vigiar cada dia como se fosse o último da sua vida; mas não basta vigiar, é preciso também rezar e rezar muito: “Quem reza se salva, quem não reza se condena” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

14.ª mensagem: Deus é Pai, ainda quando envia sofrimentos.

 

Jesus Cristo reza no horto: “E dizia: ‘Abba! Ó Pai!” (Mt 26, 39). Mergulhado num oceano de sofrimentos não murmurava contra Deus.

Devemos amar e respeitar a Deus principalmente quando a cruz pesar em nossos ombros... dos nossos lábios não deve sair nenhuma queixa: “Deus ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre para cumprir a vontade do Pai... e eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento?” (São Josemaría Escrivá).

 

15.ª mensagem: Jesus Cristo chama os valentes para acompanhá-lo.

 

No Getsêmani, chama Pedro, Tiago e João para serem testemunhas de sua aflição: “Esses deviam ser mais fortes e mais firmes na fé da sua Divindade” (Santo Tomás de Aquino). São Pedro havia dito: “Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu jamais me escandalizarei... Mesmo que tiver de morrer contigo, não te negarei” (Mt 26, 33. 35). São Tiago e São João tinham declarado que estavam prontos para beber o cálice da Paixão, dizendo: “Podemos” (Mt 20, 22).

Deus não aceita soldado fraco, mole e frouxo no seu exército: “Sê firme...” (Js 1, 6). Não aceita soldado medroso, indeciso e inconstante no seu batalhão: “Sê corajoso” (Js 1, 6). Também não aceita seguidor assustado, tremente e choramingo na sua companhia: “Não temas e não te apavores” (Js 1, 9). Deus quer soldado violento no seu exército, batalhão e companhia: “O Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele” (Mt 11, 12).

 

16.ª mensagem: Buscar apoio em Deus e não nas criaturas:

 

“Chegando ao lugar, disse-lhes: ‘Orai para não entrardes em tentação’. E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: ‘Pai, se queres, afasta de mim este cálice!” (Lc 22, 40-42).

Imitemos o exemplo de Jesus Cristo buscando a proteção, apoio e ajuda de Deus nas provações, e não o apoio dos homens que são falhos e inconstantes: “É principalmente nos dias de aborrecimentos, doenças, impaciência, tentação, aridez espiritual, provações... que o abandono é agradável a Deus” (Bem-aventurado Columba Marmion), e: “O nosso fim é Deus, fonte de todos os bens, e devemos, como repetimos em nossa oração, confiar unicamente n’Ele e em mais ninguém” (São Jerônimo Emiliani).

 

17.ª mensagem: Falar com Deus é o melhor remédio para curar a tristeza.

 

“E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: ‘Pai’” (Lc 22, 41-42).

Nosso Senhor nos ensina com sua palavra e exemplo que o melhor remédio para curar a tristeza não é falar com os homens que não podem consolar verdadeiramente um coração entristecido; mas sim, falar com Deus através da oração fervorosa e confiante: “No dia da angústia eu procuro o Senhor” (Sl 76, 3), e: “A oração é um remédio salutar contra a tristeza porque eleva o nosso espírito a Deus que é a nossa alegria e consolação. Emprega em tuas orações essas palavras e afetos que inspiram maior confiança  em Deus e em seu amor: Ó Deus de misericórdia! Ó Deus infinitamente bom! Meu benigníssimo Salvador! Ó Deus de meu coração, minha alegria e minha esperança! Ó caro Esposo de minha alma! Ó Dileto de meu coração!” (São Francisco de Sales), e também: “Alguém de vós está triste? Reze” (Tg 5, 13), ainda: “Se alguém está triste, faça uma visita a Jesus Sacramentado e ficará contente” (Bem-aventurado José Allamano).

 

18.ª mensagem: Para vencer as tentações é preciso rezar com fé e confiança.

 

“E, dobrando os joelhos, orava: ‘Pai’” (Lc 22, 41-42).

Quem não reza será vencido pelas tentações. Jesus nos ensina que o único e eficaz remédio para não cair nas tentações e não perecer nos perigos é a oração: “Volto a repetir: entre todos os remédios contra as tentações, o mais eficaz e mais necessário, o remédio dos remédios, é suplicar a Deus o seu auxílio e continuar a pedir enquanto durar a tentação. Não é raro que o Senhor destine a vitória não na primeira oração, mas sim na segunda, na terceira ou na quarta. É preciso que nos convençamos de que da oração depende todo o nosso bem. Da oração depende a nossa mudança de vida, o vencer das tentações; dela depende conseguirmos o amor de Deus, a perfeição, a perseverança e a salvação eterna” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

19.ª mensagem: Estar sempre prevenido contra as tentações.

 

“Orai para não entrardes em tentação” (Lc 22, 40).

Os inimigos da nossa alma não tiram férias, mas estão sempre guerreando contra ela... é preciso, então, que estejamos sempre atentos e preparados para vencê-los: “É nas asas da oração que a alma se desprende da materialidade desta vida para subir até Deus, a buscar n’Ele o remédio e alívio de suas penas. O homem é fraco por natureza, mas com a oração pode derrotar exércitos como fazia Moisés, orando sobre o monte” (Pe. Alexandrino Monteiro).

 

20.ª mensagem: Estar na companhia de Jesus Cristo nas horas das tentações.

 

“Vigiai comigo”.

Jesus Cristo é o Mestre! Disse: vigiai comigo; isto é, na minha companhia, como eu também vigio, imitando-me. Dando a entender que Ele vigia com os que vigiam, e reza com os que rezam; e os que vigiam e rezam, fazem isso com Ele... tendo-o por Mestre e companheiro: “Cristo comigo, a quem temerei?” (São João Crisóstomo).

 

21.ª mensagem: Estar a sós com Deus na oração.

 

“E afastou-se deles” (Lc 22, 41). O Senhor retirou-se da presença dos Apóstolos para falar a sós com o Pai, rompendo violentamente com a inclinação natural de estar com seus Apóstolos.

Aprendamos com Jesus Cristo a ficar a sós com Deus nos momentos de oração, afastando de tudo e de todos: “A alma que realmente vive a sua fé cristã sabe que necessita de se retirar frequentemente para orar a sós com seu Pai. Jesus, que nos dá este ensinamento acerca da oração, praticou-o na sua vida terrena” (Edições Theologica).

 

22.ª mensagem: Confiança em Deus.

 

Jesus Cristo confiou no Pai Eterno dizendo: “Meu Pai” (Mt 26, 39). Outras vezes o chama só de Pai; porém, desta vez diz Meu Pai; dando mostras de aumentar a confiança com quem era particularmente Pai seu, não por adoção, mas por natureza.

Devemos confiar sempre em Deus, principalmente nas horas difíceis. Não podemos voltar as costas para o Criador para contar com as criaturas: “O homem justo há de alegrar-se no Senhor e junto dele encontrará o seu refúgio, e os de reto coração triunfarão” (Sl 63, 11), e: “É melhor buscar refúgio no Senhor, do que pôr no ser humano a esperança” (Sl 117, 8).

 

23.ª mensagem: Humildade diante da grandeza de Deus.

 

Jesus Cristo orava de joelhos: “... dobrando os joelhos, orava” (Lc 22, 41). São muitas as passagens dos Evangelhos que nos falam da oração do Senhor, mas só desta vez se descreve a sua atitude exterior, que se deve ter repetido noutras ocasiões.

Imitemos o exemplo do Senhor mantendo-nos humildes interiormente e também externamente diante da grandeza do Criador, principalmente na oração: “A posição de joelhos é uma manifestação da atitude interior de humildade diante de Deus” (Edições Theologica).

 

24.ª mensagem: Oração.

 

Jesus Cristo é perfeito Deus e perfeito Homem: igual ao Pai enquanto Deus, menor que o Pai enquanto homem. Por esta razão, enquanto homem podia e devia fazer oração: “... orava com mais insistência” (Lc 22, 44).

Devemos rezar com frequência, imitando a Jesus Cristo! A oração é a mais poderosa arma para nos defendermos dos nossos inimigos. Quem não se serve dela está perdido: “Não há nada mais poderoso do que um homem que reza” (São João Crisóstomo).

 

25.ª mensagem: Não desanimar nas horas difíceis.

 

O Senhor pediu que o cálice fosse afastado... não desanimou e fez a vontade do Pai: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26, 39).

Na nossa vida, pode haver momentos de luta mais intensa, talvez de escuridão e de dor profunda, em que nos custe aceitar a vontade de Deus e sejamos assaltados pela tentação do desânimo: “A imagem de Cristo no Monte das Oliveiras há de mostrar-nos então o que devemos fazer: abraçar-nos à vontade de Deus, sem lhe estabelecer limites nem condições de tipo algum, e identificar-nos com o querer de Deus por meio de uma oração perseverante” (Pe. Francisco Fernández Carvajal).

 

26.ª mensagem: Para nos fazer iguais a Ele.

 

Uma das razões pelas quais Jesus Cristo quis sofrer a dor no seu corpo e na sua alma, foi para nos demonstrar que era verdadeiro homem, com a nossa mesma natureza, que sentia como nós a tortura e os insultos: “... começou a entristecer-se e a angustiar-se” (Mt 26, 37).

Quando sentimos a força das tentações, não devemos desanimar e pensar que perdemos a graça de Deus. Estes sentimentos não são pecados, mas manifestações da debilidade natural do homem. Jesus Cristo quis sentir esta fraqueza, fazendo-se igual a nós – exceto no pecado -, para que nós nos fizéssemos iguais a Ele, na fortaleza e na obediência à vontade de Deus: “Não devem ser considerados valentes os que mais feridas recebem, mas os que mais sofrem por elas” (Santo Ambrósio).

 

27.ª mensagem: Para nos fazer participantes de seus bens.

 

Quis o Senhor participar como nós das dores do corpo e também das tristezas da alma, porque quanto mais participasse dos nossos males, mais participantes nos fariam dos seus bens: “Minha alma está triste até a morte” (Mt 26, 38).

Jesus Cristo tomou as nossas enfermidades para que fôssemos curados; castigou-se a si mesmo pelos nossos pecados, para que nós recebêssemos o perdão. Curou a nossa soberba com as suas humilhações; a nossa gula, bebendo fel; a nossa sensualidade, com a sua dor e a sua tristeza: “Tomou a minha tristeza para me dar a sua alegria; com meus passos desceu à morte, para que com os seus passos eu subisse à vida” (Santo Ambrósio).

 

28.ª mensagem: Perseverar durante as provações.

 

No Getsêmani, Jesus Cristo sentiu grande aflição ao ver a perversidade dos seus inimigos. Do ódio nascia o desejo de matá-lo, de inventar injúrias, de o torturarem, de zombarem de sua amargura. Era como se o inimigo trinfasse e Deus o tivesse abandonado: “Deus o abandonou. Persegui-o e prendei-o, porque não há ninguém para livrá-lo” (Sl 70, 11).

Quem quiser se salvar deve perseverar no bem durante as provações, sem se assustar com a aspereza das dificuldades: “Concedei-me, ó Deus eterno, ser constante, perseverante na virtude, a fim de que não volte para trás a olhar o arado, mas com perseverança siga o caminho da verdade” (Santa Catarina de Sena).

 

29.ª mensagem: Falsidade.

 

Nosso Senhor conhecia muito bem o coração dos homens; sabia que nenhum amigo o defenderia quando estivesse rodeado por seus inimigos, sofrendo todo tipo de calúnia: “Olho para a direita e vejo: não há ninguém que cuide de mim. Não existe para mim refúgio, ninguém que se interesse pela minha vida” (Sl 141, 5).

De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres. Jamais devemos suportar as falsas amizades: “Há amigo que se torna inimigo” (Eclo 6, 9).

 

30.ª mensagem: Sofrimento sem alívio.

 

Com a proximidade de sua morte, estava em sua mente toda a dor e tormento que sofreria na cruz. Pensava na injustiça, nos insultos, nas calúnias, nos escárnios e nas agressões que sofreria. O simples fato de imaginar assustava mais que a própria morte. Os condenados têm os olhos vendados para atenuar este sentimento. Mas Jesus Cristo não teve nenhum alívio: “Salvai-me, ó Deus, porque as águas me vão submergir” (Sl 68, 2).

Contemplemos a Cristo Jesus no Getsêmani sofrendo sem alívio, e aprendamos d’Ele a suportar os sofrimentos com aceitação e sem refrigério: “Sim, meu Senhor, por vosso amor abraço todas as cruzes que me queirais enviar” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

31.ª mensagem: Não fugir diante de prováveis sofrimentos.

 

Era impossível afastar de seu pensamento aquele lugar terrível: o Calvário. Anteviu sua crucificação: completamente despido, rebaixado como um marginal no meio de dois ladrões, suspenso por mais de três horas, insultado pelos inimigos e desamparado pelos amigos. Jesus Cristo não foi poupado de nenhum destes sentimentos. Foi tanta dor que começou a ter pavor e angustiar-se (Mc 14, 33). O Senhor não fugiu!

Devemos, confiados em Deus, suportar as provações de cada dia e não fugirmos de prováveis sofrimentos. Nosso Senhor quer que sejamos fiéis até o fim: “Não tenhas medo do que irás sofrer” (Ap 2, 10).

 

32.ª mensagem: Pedir ajuda aos amigos verdadeiros nas horas difíceis.

 

Jesus Cristo, para descansar um pouco, pediu aos três amigos: “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26, 38).

Quando as nossas forças estiverem se esgotando diante de contínuos sofrimentos e provações, sem desprezar a ajuda de Deus, podemos pedir ajuda aos amigos fiéis: “Contudo, eu vos peço, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo amor do Espírito, que luteis comigo, nas orações que fazeis a Deus por mim...” (Rm 15, 30).

 

33.ª mensagem: Obedecer a Deus principalmente nas dificuldades.

 

Apesar da grande dor e tristeza, nada impediria o Senhor em obedecer a seu Pai no oferecimento de sua vida para salvar a humanidade. Mas, com tamanho peso em seus ombros, Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra (Lc 22, 44).

Devemos obedecer a Deus em tudo, principalmente quando a cruz pesar em nossos ombros e as dificuldades se multiplicarem, lembrando que “o Salvador exige que carreguemos diariamente a nossa cruz e o sigamos pela obediência... o que quer é que lhe renunciemos ao uso egoísta e arbitrário da nossa vontade, que lhe entreguemos a nossa vontade, o nosso coração” (Pe. Richard Gräf).

 

34.ª mensagem: Servir a Deus com amor.

 

Jesus Cristo participava da essência de Deus, e vivia como que arrebatado na ânsia de servi-lo com toda a força do seu amor. Conhecia todos os pecados cometidos e que seriam cometidos contra Deus: “Ninguém como Cristo teve uma alma tão grande: a sua dor foi à medida de seu amor; não compreendemos inteiramente o seu amor, por isso não compreendemos sua dor” (São João de Ávila).

Para servir a Deus com amor é preciso arrancar do coração o egoísmo e a mesquinhez; Deus não aceita um coração dividido com as criaturas: “O amor gratuito de Deus, que se antecipa ao homem, quer ser correspondido com este amor de amizade, pelo qual se entrega o homem totalmente a Deus, querendo só o que ele quer” (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena).

 

35.ª mensagem: Ingratidão.

 

Parece-nos que a tristeza de Jesus Cristo não poderia ser maior, mas aumentou mais ainda pela nossa ingratidão. Viu que muitos não reconheciam, outros não apreciavam, e que vários não agradeciam seu esforço em nosso favor; e que mesmo depois de derramar o seu sangue para limpar nossa imundice, muitos terminariam na condenação eterna.

Contemplemos a Jesus Cristo que fez tanto pelas almas e que recebeu ingratidões. Não podemos desanimar nem encurtar os nossos passos na realização das boas obras; pelo contrário, devemos passar sobre as ingratidões com um coração sedento de realizar somente o bem: “Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários” (Santa Paulina). A ingratidão é um vento contrário que desanima somente os fracos.

 

36.ª mensagem: Procurar a fortaleza de Deus.

 

A natureza de Cristo rejeitava a cruz, mas prostrou-se e rezou, procurando a fortaleza de Deus.

Quando as nossas forças se esgotarem e sentirmos o abandono de todos, prostremo-nos confiantes no Deus forte que ajuda quem implora sua força: “Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará” (Dt 3, 6).

 

37.ª mensagem: Deus está por trás de tudo.

 

Jesus Cristo sabia que tudo é ordenado pela Providência Divina, que nem uma folha cai sem sua permissão.

Tudo o que nos acontecer ou é vontade de Deus ou foi permitido por Ele... não devemos nos preocupar: “Toda a santidade consiste em amar a Deus, e todo o amor a Deus consiste em fazer a sua vontade. Devemos, pois, acolher sem reserva todas as disposições da Providência a nosso respeito e, consequentemente, abraçar em paz tudo o que nos acontece de favorável ou desfavorável, nosso estado de vida, nossa saúde, tudo o que Deus quer. Todas as nossas orações devem ser dirigidas pedindo que ele nos ajude a cumprir sua santa vontade” (Santo Afonso Maria de Ligório), e: “Quem vive e morre perfeitamente fazendo a vontade de Deus, é impossível que Nosso Senhor não o receba imediatamente no céu” (São Francisco de Sales).

 

38.ª mensagem: Buscar consolo em Deus.

 

Ele disse: “Meu Pai” (Mt 26, 39). Começou a consolar-se em seu Pai, o mesmo que lhe enviava para a morte. Obedecia como Filho... seus olhos estavam abertos. Ensinou-nos a chamar Deus de Pai, mesmo quando parece que nos castiga.

Devemos inclinar a cabeça diante do Criador e buscar consolo n’Ele, também quando as coisas não vão bem na nossa vida: “Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito” (1 Ts 5, 18).

 

39.ª mensagem: Conformar com a vontade de Deus.

 

Sentir aversão perante a dor e querer evitá-la, não diminui o mérito, pelo contrário, aumenta, quando se conforma com a vontade de Deus: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26, 39).

Nenhum acontecimento deve nos inquietar nem perturbar, porque sabemos que tudo vem de Deus e que a sua vontade, mil vezes amável, dirige a tudo. Este pensamento muda o sofrimento em alegria, a amargura em doçura... e o que desconsola os outros, consola-nos, quando nos conformamos com a vontade de Deus: “Querer o que Deus quer; querê-lo no modo, no tempo e nas circunstâncias que Ele quer; e querer tudo isto não por outros motivos, mas somente porque Deus quer assim” (São José Cafasso).

 

40.ª mensagem: Abraçar todas as cruzes.

 

Jesus Cristo disse: “... contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26, 39). Nosso Senhor não fugiu das cruzes, mas fez a vontade do Pai.

Por amor a Jesus Cristo, nosso Salvador, devemos abraçar todas as cruzes enviadas pelo Criador; fazendo a vontade de d’Ele e não a nossa: “Persuadamo-nos que neste vale de lágrimas não pode ter a verdadeira paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 

41.ª mensagem: Dor pelos pecados cometidos.

 

Jesus “caiu por terra” (Mc 14, 35). Durante a sua oração, Jesus Cristo prostrou-se com a face em terra, porquanto, vendo-se coberto com a vestidura sórdida de todos os nossos pecados, parece que se envergonhava de levantar os olhos ao céu.

Peçamos perdão a Jesus por tê-lo ofendido tanto. Pela cruel agonia que Nosso Senhor sofreu no Getsêmani, peçamos-lhe uma parte do horror que sofreu por nossos pecados: “Entre os atos do penitente, a contrição vem em primeiro lugar. Consiste numa dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro” (Catecismo da Igreja Católica; Concílio de Trento).

 

42.ª mensagem: O consolo que vem do alto não é para nos livrar das cruzes.

 

 Apesar de aparecer no horto um anjo a confortá-lo, segundo São Lucas 22,43, contudo, esse conforto em vez de aliviar-lhe a pena, mais a acerbou: “O conforto não diminuiu, mas aumentou a dor” (São Beda). Depois do consolo do anjo, Jesus, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra (Lc 22, 44). O Senhor não ficou livre dos sofrimentos.

Devemos pedir a Deus que nos conforte e nos ajude a suportar o peso das cruzes de cada dia; mas não para afastá-las da nossa vida: Não se pode salvar sem sofrer, querer amar a Deus sem sofrer é ilusão (Santa Margarida Maria Alacoque).

 

OBS: Essa pregação não está concluída; assim que “surgirem” novas mensagens as acrescentaremos.

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP (C)

Anápolis, 27 de junho de 2016

 

 

Bibliografia

 

Sagrada Escritura

Pe. Luis de la Palma, A Paixão do Senhor

Edições Theologica

Pe. Juan Leal, A Sagrada Escritura

Santo Ambrósio, Escritos

São João de Ávila, Tratado 10 do Santíssimo Sacramento, 7

Teofilacto, Enarratio in Evangelium Marci, ad loc; outros Escritos

Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 21, a. 1

São Francisco de Sales, Tratado do amor de Deus, livro 2, cap. 1

São Tomás More, A agonia de Cristo, ad loc.

São Josemaría Escrivá, Via-Sacra, I, n.º 1

P. Bonnetain: RevPA 50 (1930) 681-90; 51 (1931) 276-85

Santo Antônio Maria Claret, Caminho reto e seguro para chegar ao céu

Pe. Juan de Maldonado, Comentário ao Evangelho de São Mateus

Santo Hilário, Escritos

São João Crisóstomo, Escritos

São João Damasceno, Escritos

Santo Afonso Maria de Ligório, A Paixão de Jesus Cristo

Frei Pedro Sinzig, Breves meditações para todos os dias do ano

 

 

 

 

 

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Pe. Divino Antônio Lopes FP(C). “Minha alma está triste até a morte”
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