Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

 

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(Aos membros do Movimento Missionário Lanceiros de Lanciano. Casa de Retiro São Nilo Abade, município de Jaraguá-GO, em 25 de julho de 1999)

 

O missionário deve ser verdadeiro

 

1º Ponto

 

O missionário deve pregar a verdade

 

Nosso Senhor Jesus Cristo disse: Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura (Mc 16, 15). Jesus Cristo exige que a pregação seja verdadeira, porque somente a verdade é capaz de libertar alguém que vive nas trevas: … e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8, 32), e Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade (Jo 17, 17).

Santo Agostinho diz: A verdade gera o ódio, e tem poucos amigos.  Gerando o ódio e tendo poucos amigos, pouco importa, o importante é anunciar a verdade a todos, principalmente para aqueles que estão no caminho da perdição; somente a pregação verdadeira os trarão de volta para perto de Deus, porque a verdade ilumina os que estão mergulhados no erro, fazendo-os enxergar o caminho correto: Envia tua luz e tua verdade: elas me guiarão, levando-me à tua montanha sagrada, às tuas Moradias (Sl 43, 3), e: Ensina-me teus caminhos, Senhor, e caminharei segundo tua verdade(Sl 86, 11).

Nosso Senhor Jesus Cristo é a verdade: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6), e somente aquela pessoa que ama a verdade, é capaz de seguir a Nosso Senhor até o fim: Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz (Jo 18, 37).

Sabemos que poucos são aqueles que aceitam a verdade, apenas os doze Apóstolos difundiram pelo mundo o Evangelho, aquele Evangelho que o Filho de Deus lhes ensinara e que o Espírito Santo lhes explicara, logo se levantaram os falsos doutores para o falsificarem: Se alguém ensinar uma outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina conforme a piedade, é porque é cego, nada entende, é um doente à procura de controvérsias e discussões de palavras (1 Tm 6, 3-4).

Os falsos profetas, inimigos número um da verdade, vomitaram todo tipo de mentiras, calúnias e heresias contra a santa e piedosa doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana.

E foram primeiramente os gnósticos que se gabavam de ter achado a sublime doutrina de Cristo, ao passo que os doze rudes pescadores não tinham sabido compreender senão a casca externa da verdade. E depois levantou-se, para profetizar falsamente, Ário, que negava a divindade verdadeira de Cristo. E depois levantou-se Nestório, para dizer que em Cristo havia duas pessoas distintas. E, depois dele, Eutíquio, para dizer que Cristo não era um homem verdadeiro. E depois Fócio, e depois Lutero… Todos falsos profetas.

O missionário deve ser o oposto do falso profeta, ele deve pregar a verdadeira doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, deve ser fiel à Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e ao Magistério da Igreja Católica.

O missionário deve pregar a verdade, não deve pregar nada que esteja contra a doutrina da Igreja Católica, não deve criar uma linha de pregação que comprometa a verdade, é seu dever pregar Jesus Cristo, somente assim a sua pregação será abençoada por Deus e dará muitos frutos: Enviada e evangelizadora, a Igreja envia também ela própria evangelizadores. É ela que coloca em seus lábios a Palavra que salva, que lhes explica a mensagem de que ela mesma é depositária, que lhes confere o mandato que ela própria recebeu e que, enfim, os envia a pregar. E a pregar, não as suas próprias pessoas ou as suas idéias pessoais, mas sim um Evangelho do qual nem eles nem ela são senhores e proprietários absolutos, para dele disporem a seu bel-prazer, mas de que são os ministros para o transmitir com a máxima fidelidade (Exortação Apostólica” Evangeli Nuntiandi”, n.º 15, Paulo VI).

O missionário deve ser amigo fiel da verdade, não pode negá-la com a intenção de agradar os mentirosos, o mesmo deve sofrer perseguições, com a cabeça erguida, por causa da verdade, e caso seja preciso, deverá derramar o próprio sangue para defendê-la: O Evangelho, cujo encargo nos foi confiado, é também palavra da verdade. Uma verdade que torna livres e que é a única coisa que dá a paz ao coração, é aquilo que as pessoas vêm procurar quando nós lhes anunciamos a Boa Nova. Verdade sobre Deus, verdade sobre o homem e sobre o seu misterioso destino e verdade sobre o mundo. Difícil verdade que nós procuramos na Palavra de Deus e da qual somos, insistimos ainda, não os árbitros nem os proprietários, mas os depositários, os arautos e os servidores.

Espera-se de todo evangelizador que tenha o culto da verdade, tanto mais que a verdade que ele aprofunda e comunica outra coisa não é senão a verdade revelada; e, por isso mesmo, mais do que qualquer outra, parcela daquela verdade primária que é o próprio Deus. O pregador do Evangelho terá de ser, portanto, alguém que, mesmo à custa da renúncia pessoal e do sofrimento, procura sempre a verdade que há de transmitir aos outros. Ele jamais poderá trair ou dissimular a verdade; nem com a preocupação de agradar aos homens, de arrebatar ou de chocar, nem por originalidade ou desejo de aparecer. Ele não há de evitar a verdade e não há de deixar que ela se obscureça pela preguiça de a procurar, por comodidade ou por medo; não negligenciará nunca o estudo da verdade. Mas há de servi-la generosamente, sem a escravizar.

Enquanto Pastores do povo fiel, o nosso serviço pastoral obriga-nos a preservar, defender e comunicar a verdade, sem olhar a sacrifícios. Tantos e tantos Pastores eminentes e santos nos deixaram o exemplo, em muitos casos heróicos, deste amor à verdade. E o Deus da verdade espera de nós precisamente que sejamos os defensores vigilantes e pregadores devotados dessa mesma verdade (Exortação Apostólica “Evangeli Nuntiandi, n.º 78, Paulo VI).

O missionário deve pregar a verdade, isto é, deve ser pregador fiel de Jesus Cristo, deve mostrar para as multidões que Cristo Jesus é o modelo perfeito a quem devemos seguir: Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados (Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi”, n.º 22, Paulo VI).

O missionário que esconde a verdade do povo, não é pastor, e sim, mercenário, não é filho devoto da Igreja Católica, e sim, traidor da mesma, porque esconde a pérola preciosíssima da verdade, pérola que todos os homens são obrigados a buscá-la de coração: Por sua vez, estão os homens todos obrigados a procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e a praticá-la (Declaração “Dignitatis Humanae”, n.º 1).

O missionário só é autenticamente missionário, se amar de coração a verdade.

Quando uma pessoa conhece o remédio que cura uma doença grave, e deixa o enfermo morrer por falta daquele remédio, essa pessoa é covarde e não merece o nome de cristã. Com o missionário covarde e omisso, que deixa de pregar a verdade por comodismo ou medo, a responsabilidade é bem maior, porque deixa a pessoa que está enferma espiritualmente perder a sua alma, e para esse mercenário está reservada esta sentença: O ímpio, certamente hás de morrer... mas o seu sangue o requererei de ti (Ez 33, 8).

 

2º Ponto

 

O missionário deve pregar para agradar a Deus e não aos homens

 

O missionário não deve buscar os seus interesses, mas, sim, os de Cristo, ele não foi enviado para se promover, e sim, para tornar Cristo conhecido e amado por todos.

Na 1.ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1, 4 diz: Uma vez que Deus nos achou dignos de confiar-nos o evangelho, falamos não para agradar aos homens, mas, sim, a Deus, que perscruta o nosso coração.

Nenhum missionário tem o direito de negar ou esconder a verdade, com a intenção de agradar os mentirosos e inimigos da Palavra de Deus: Pois virá um tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina (2 Tm 4, 3). É dever do missionário pregar com coragem e fidelidade a Palavra de Deus, porque é o favor de Cristo Jesus que ele busca e não o favor dos homens: É porventura o favor dos homens que agora eu busco, ou o favor de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se eu quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo (Gl 1, 10).

O missionário que esconde a verdade não ama verdadeiramente as almas, é sinal claro que ele não trabalha para a salvação das almas, mas, sim, para a sua própria glória: … pois procuram atender os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo (Fl 2, 21).

São João Crisóstomo diz: Não há nada mais frio do que um cristão que não se preocupa pela salvação dos outros. O cristão que é convicto de possuir e de pregar a verdade, dedica de corpo e alma no trabalho pela salvação das almas, porque o mundo tem sede de ouvir a Palavra de Deus com sinceridade.

Em Mc 16, 15 diz: Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. Está claro que Jesus Cristo manda pregar a Palavra de Deus, isto é, pregar a verdade. O povo católico tem o direito de ouvir dos missionários a Palavra de Deus, alimento puríssimo para a santificação de Todos: “O povo de Deus congrega-se antes de mais nada, pela palavra de Deus vivo, palavra que se há de procurar com pleno direito nos lábios dos sacerdotes (Decreto “Presbyterorum Ordinis”, n.º 4).

É ridículo ver um sacerdote encher lingüiça no altar, pregar abobrinha, agir com máscaras, jogo de cintura, etc., somente com a intenção de agradar os seus “fregueses”, um ministro desse coloca todo o rebanho a perder: Meu povo será destruído por falta de conhecimento (Os 4, 6). O povo não ouve a verdade, e por isso, continuará caminhando no caminho da perdição, mas esse ministro camaleão, será castigado por Deus: Porque tu rejeitaste o conhecimento, eu te rejeitarei do meu sacerdócio (Os 4, 6).

Muitos católicos mascarados querem viver dentro da Igreja Católica, mas não querem obedecer a sua Santa Doutrina: Infelizmente existem monges falsos, como há falsos clérigos e falsos fiéis (Santo Agostinho). Esses falsos fiéis cometem todo tipo de rebeldia e depois vêm esconder sob o manto da Igreja Católica, e se o missionário começa a pregar a verdade com convicção e coragem, logo eles dão um jeito de calar-lhe a boca, mas o verdadeiro missionário, aquele que está cheio de Deus não cala, pelo contrário, prega com mais ardor, porque: O povo é que deve seguir o pregador, e não este, os desejos da grande massa (São João Crisóstomo).

O missionário não deve agradar os homens em suas pregações; mas somente a Deus: Em suas pregações procure apenas agradar a Deus (São João Crisóstomo). Ele não deve temer as críticas dos inimigos da verdade, porque se ele está pregando Jesus Cristo, nada tem que temer, porque está no caminho certo: Quem se apresentar perante o público como pregador, deverá ficar insensível aos encômios dos outros e jamais desanimar devido às suas críticas (São João Crisóstomo).

Infeliz do missionário que mendiga o elogio e o aplauso dos ouvintes, ele ficará sempre vazio, porque aquele que busca o aplauso vazio do mundo, recebe em recompensa a falsa glória do mundo.

O missionário deve preparar as suas pregações com o máximo de sinceridade e reta intenção, isto é, de agradar somente a Deus: Só Deus deverá servir-lhe de orientador e fim ao preparar suas práticas; jamais os louvores e aplausos da multidão. Caso receba aplausos, não os rejeite; caso não os receba, não os procure e jamais se deixe desanimar! Grande consolo lhe será sempre a consciência de ter procurado apenas a benevolência de Deus (São João Crisóstomo).

O sacerdote não pode ser um adulador de almas, e sim, ser luz no meio desse mundo voltado para a falsidade: Como a luz que ilumina o mundo deve brilhar a alma do sacerdote… digo versado, não ardiloso; nenhum adulador ou fingido, mas um homem de caráter aberto e sincero que, caso as circunstâncias o exigirem, também saberá ser condescendente, suave e rigoroso ao mesmo tempo (São João Crisóstomo).

 

3º Ponto

 

O missionário deve ser fiel à doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana

 

Da boca do missionário deve sair somente a sã doutrina, e o seu coração deve ser fiel até o fim. Ele deve enfrentar todas as perseguições e críticas em defesa da sã doutrina: Expondo estas coisas aos irmãos, serás um bom servidor de Cristo Jesus, nutrido com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido (1 Tm 4, 6), e: Vigia a ti mesmo e a doutrina. Persevera nestas disposições porque, assim fazendo, salvarás a ti mesmo e aos teus ouvintes (1 Tm 4, 16), e ainda: … de tal modo fiel na exposição da palavra que seja capaz de ensinar a sã doutrina como também de refutar os que a contradizem (Tt 1, 9), e também: Quanto a ti, fala do que pertence à sã doutrina (Tt 2, 1).

A Santa Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana é água cristalina, por isso, o missionário deve transmiti-la com o máximo de fidelidade, isto é, sem tirar ou aumentar nada: … a evangelização correria o risco de perder a sua força e de se desvanecer se fosse despojada ou fosse deturpada quanto ao seu conteúdo…(Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi”, n.º 63, Paulo VI), e: Uma oposição ao ensinamento do Magistério da Igreja não pode ser considerada expressão da liberdade cristã e da diversidade dos dons do Espírito: todos os fiéis – leigos, religiosos ou sacerdotes – têm o direito de receber a Doutrina Católica na sua pureza e integridade que, neste caso, os pastores devem fazer respeitar (Discurso do Papa João Paulo II aos Bispos brasileiros pertencentes aos Regionais Sul 3 e Sul 4 da CNBB, n.º 5, visita ad limina Apostolorum, 1995-1996), e também: A Igreja, obediente ao Senhor, que veio não para julgar mas para salvar, deve manifestar a misericórdia para com as pessoas sem, contudo, renunciar ao princípio da verdade e da coerência, pelo qual não se pode chamar bem ao mal e mal ao bem. Não diminuir em nada a doutrina salvadora de Cristo constitui eminente forma de caridade para com as almas (Idem, n.º 6).

O missionário que não é fiel à Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério da Igreja, não é um pregador de confiança, mas é um Judas com a máscara de missionário católico, é um lobo com pele de ovelha.

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

 

 

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Depois de autorizado, é preciso citar:

Pe. Divino Antônio Lopes FP. “O missionário deve ser verdadeiro”.
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